*Júlio Câmara
Durante quase uma semana de greve do magistério, a grande mídia se dedicou a colocar os estudantes contra os seus professores. Os argumentos usados não se comparam ao grande problema da Reforma do Ensino Médio que serão praticamente irreversíveis a partir de janeiro. Casualmente, a UGES e a UBES realizaram os seus congressos na semana da greve. E todo mundo sabe que essas entidades estão muito afastadas dos estudantes e próximas dos partidos que mantém o governo. No Congresso, os estudantes votaram sob cabresto contra a greve dos professores. Essa foi a posição oficial da UGES/UBES, um prato cheio para a imprensa cair de pau em cima dos grevistas.
Ontem, dia 24 de novembro, veio a resposta do Movimento Estudantil Real, que é construído no cotidiano das escolas e não se sente representado por essas entidades. Mais de 500 estudantes secundaristas acompanharam cerca de 4 mil professores numa Assembleia/Ato-Público em frente ao Palácio Piratini. Contrariando a UGES/UBES, essa palavra de ordem mostra que os estudantes sabem quem são os inimigos da educação: “O professor é meu amigo/mexeu com ele/ mexeu comigo”.
Os estudantes que acompanharam a Assembleia transpiravam indignação e vontade de se organizar contra a reforma falcatrua do Tarso. E o que já há em acordo é que o movimento contra o Politécnico será unificado, buscando apoio de todas as escolas do Rio Grande do Sul.
A recusa do governo em receber o Comando de Greve do CPERS garantiu que novos atos virão. O impacto notável causado pelas manifestações espontâneas será multiplicado com as manifestações organizadas. Vamos gritar até arranhar a garganta, mas não engoliremos o Politécnico!
*Presidente do Grêmio Estudantil do Colégio Infante Dom Henrique de Porto Alegre/RS
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