Nota de solidariedade aos indígenas do Baixo Tapajós

 

Hoje pela manhã, durante uma visita de representantes da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) à aldeia Açaizal, Santarém, um grupo de sojeiros agrediu de forma covarde os indígenas presentes no local.

A aldeia de Açaizal faz parte do território indígena do povo Munduruku do planalto Santareno, palco de duros conflitos com plantadores de soja e pecuaristas.

Diante da visita da CIDH a Açaizal, um grupo de sojeiros seguiu a comitiva para intimidar os participantes do evento. Após várias provocações verbais e impropérios contra os indígenas, um fazendeiro chegou a agredir fisicamente a liderança Luana Kumaruara.

Luana é do povo Kumaruara, é uma jovem militante e liderança do movimento indígena do Baixo Tapajós que recentemente entrou para as fileiras do PSOL, e mais uma vez é atacada covardemente.

Não é de hoje que esses episódios acontecem. Santarém é a rota do escoamento da soja e possui um dos principais portos graneleiros do país, a cidade já ultrapassa os mais de 70 mil hectares de plantações, e os indígenas daquela região são os mais afetados pelo motivo de estarem rodeados das gigantescas plantações de grãos.

Os conflitos agrários são constantes, os 1% dos sojeiros que vivem aqui se acham donos das terras, as afirmações de Bolsonaro de que irá acabar com as terras indígenas e quilombolas mostra como o cenário caótico para o povos indígenas resultará numa grande guerra e como o agronegócio é um dos grandes inimigos dos povos indígenas, principalmente para os povos indígenas da Amazônia, que são atacados periodicamente.

É emergencial a organização e a resistência dos indígenas nesses tempos sombrios, nossa luta vem de longe, são mais de 500 anos de retirada de direitos, não iremos recuar nenhum milímetro, somos os donos reais dessa terra, a guerra contra nós precisa acabar.

Todo apoio e solidariedade a Luana Kumaruara e aos parentes hoje agredidos covardemente. Surara!