O FUTURO PEDE CORAGEM!

Manifesto do Juntos! e Juntas! rumo ao CONEB da UNE

 

Ninguém solta a mão de ninguém! – A vitória de Bolsonaro e aliados abre uma nova situação política no país. Há uma mudança de qualidade que nos coloca diante de uma situação reacionária, instável e defensiva. Ele quer nos fazer retroceder décadas em perdas de direitos, com um ajuste econômico brutal e propostas de censura e restrições de liberdades, como a Reforma da Previdência e o Escola Sem Partido. Estamos em transição para um regime de novo tipo, que já não responde ao pacto da Constituição de 1988 e que exigirá de nós unidade ampla para resistir ao projeto de Bolsonaro. Se somarmos os votos e as abstenções veremos que quase 90 milhões de pessoas não apostaram nesse projeto. Temos potencial e mostramos isso com os atos feministas pelo #EleNão, a campanha para virar voto no segundo turno e os diversos atos nas universidades antes e depois das eleições, isso também mostra que mesmo com a vitória de Bolsonaro há resistência em várias espaços, inclusive na Câmara, com a eleição de deputados e deputadas conectados com as lutas nas ruas.  Além disso como estamos diante de uma crise internacional, precisamos conectar mundialmente nossas resistências e experiências. Dois anos depois da eleição do Trump, por exemplo, o feminismo socialista fortaleceu polos de resistência com a eleição de jovens feministas ao Congresso norte americano.

“…Tem que entender o que o povo quer. Se não sabe, volta pra base e vai procurar entender” – Mano Brown nos lembrou que para seguir é preciso tirar lições dos erros que nos trouxeram até aqui. Os 13 anos de governo do PT em colaboração com a elite; a governabilidade que permitiu que figuras abertamente reacionárias fizessem parte da base de apoio parlamentar do governo e crescessem sob sua sombra; as escolhas de defesa de seus próprios interesses enquanto aparelho ao invés da aposta na mobilização popular; o não acerto de contas com os crimes da ditadura militar; os inúmeros esquemas de corrupção; o uso do aparelho repressivo para conter Junho de 2013; o ajuste fiscal de Levy; a desmobilização da segunda greve geral entre outros erros frustraram as expectativas de milhões que haviam depositado sua esperança naquele projeto. A não resposta às demandas e necessidades do povo que sofria com os efeitos da crise econômica deu caldo a construção de uma direita que surfou no descontentamento popular, apresentando-se (de forma hipócrita) como antisistêmica. Não podemos nos dar ao luxo de errar novamente. Precisamos reconstruir a esquerda pela base, ouvindo, com autocrítica e sem hegemonismos, e fortalecer uma esquerda anticapitalista que não se adapte ao regime, mas que busque superá-lo.

Uma geração de indignados! – Somos uma geração que apostou na mobilização como forma de avançar na construção de uma democracia real para todos. Nossa indignação tomou as ruas e fomos linha de frente de muitos processos de luta, que deixaram marcas e aprendizados. Construímos as Jornadas de Junho de 2013, as ocupações de escolas e universidades, a primavera feminista, as lutas em defesa da vida negra e favelada, das LGBTs e da cultura periférica. Somos sementes de muitos lutadores que tombaram. Sementes de Marielle Franco, de Mestre Moa do Katendê, mas também de Edson Luís, de Honestino Guimarães e outros tantos. Lutando aprendemos. E sabemos que para defender nosso futuro, temos que derrotar esse sistema social racista e machista que defende o lucro acima de nossas vidas.

Transformar o medo em luta! – O movimento estudantil como um movimento social cumpre um papel histórico de resistência, e será fundamental no próximo período. A reprodução do mais do mesmo já não nos serve diante dos novos desafios. Nossos espaços precisam refletir a situação política e inovar nossas práticas, romper com os métodos burocráticos, ampliar o debate político e fortalecer a democracia de base. As entidades serão muito importantes e é necessário defendê-las, entre elas a UNE, que deve ser um espaço de construção democrática unitária entre os estudantes para resistir aos ataques. Os Centros Acadêmicos podem ser o principal ponto de contato político com os estudantes de cada curso, construindo espaços amplos, plurais, abertos e radicalmente democráticos, que possam construir um programa de reivindicações de baixo para cima, que aponte não apenas o combate às medidas de Bolsonaro, como também a universidade e o país que queremos. Defender nossas universidades públicas e gratuitas, as cotas raciais, o ensino e pesquisa sem censura e os estudantes endividados nas mãos dos tubarões do ensino privado, sujeitos ao aumento abusivo de mensalidades e pagamentos de taxas arbitrárias. E derrotar o projeto Escola com Mordaça que é uma censura ao ensino, um ataque ao pensamento critico e cientifico e uma violação e desrespeito ao trabalho do professor. Que cada C.A. e D.A. seja não só uma representação, mas também um espaço de encontro dos estudantes para organizar e fortalecer as lutas do nosso povo.

Por isso, o Congresso Nacional de Entidades de Base (CONEB), que será realizado em Salvador em fevereiro cumpre um papel fundamental e deve ser um espaço democrático dos estudantes para nos organizarmos.

A coragem é um sentimento coletivo! – O exemplo das faixas antifascistas nas universidades mostrou que quando lutamos juntos nos fortalecemos. Acreditamos que o CONEB deve cumprir o papel de organizar um calendário de lutas e mobilizações unitárias por todo país. Algumas datas já apontam caminho: a campanha por Justiça por Marielle já deve tomar as ruas do país no Carnaval, com o samba enredo da Mangueira, no 8 de Março, dia internacional de luta das mulheres, e no 14 de Março, quando completa 1 ano de sua morte. Além disso, o dia 28 de Março, que marca o assassinato do estudante Edson Luís pela ditadura militar, também tem de ser um dia de mobilização do movimento estudantil no país.

Para derrotar o projeto de Bolsonaro e colocar abaixo esse sistema que nos quer sem educação, sem emprego, sem casa, sem cultura e sem futuro é necessário organizar nossa resistência. Vamos Juntos e Juntas, o futuro pede coragem!

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