A Luta pela Terra por Quem Precisa Viver – A dura realidade das etnias do MS

25/nov/2011, 13h30

*Alex Makuxi

O estado de Mato Grosso do Sul concentra-se a segunda maior população Indígena do Brasil, perdendo apenas para o Amazonas. A diferença entre o Mato Grosso do Sul e restante no Brasil é que esse estado bate recorde em números de mortes de Indígenas, que segundo dados do Conselho Indigenista Missionário entre 2003 e 2010 foram assassinados 250 índios, e que se somássemos todos os números de morte de índios nos estados restantes da federação alcançaríamos um total de 202 indivíduos. Outro fato alarmante e preocupante é a questão territorial, um total de 45 mil índios divide um espaço que corresponde 2% do estado. Enquanto isso, o agronegócio se apropria de mais de 55% desse território.

A luta pela sobrevivência das etnias indígenas do Mato Grosso do Sul está relacionado a um erro cometido pelo antigo Serviço de Proteção ao Índio – SPI, que em 1920 reuniu em um único pedaço de chão várias etnias e pela demora na demarcação de suas Terras. Por esse erro a população indígena paga ate hoje, vivendo entre as promessas dos governos e a incerteza de tê-los suas terras de volta.

Com a demora na demarcação das Terras Indígenas, essa população por meios de suas articulações, começaram a organizar as retomadas, montando vários acampamentos, muito destes localizados a beira das estradas. A Situação se agravou, pois a articulação do Povo Indígena no Mato grosso do Sul chamou também a atenção dos latifundiários que contrataram empresas de seguranças, capangas e jagunços para uma única função: A de matar índios!

Não muito diferente do que aconteceu no passado, esses indivíduos que são contratados por posseiros, cumprem sua missão sem pena nem receio que sejam punidos pela justiça. Armados até os dentes entram nas aldeias, espalham o medo entre as crianças, matam as lideranças, ameaçam mulheres e idosos.
Para ser mais claro no ultimo dia 18, foi o fato ocorrido no acampamento Guaiviry, no município de Aral Moreira, que sofreu ataque de pistoleiros fortemente armados. Nesse triste episódio o cacique Nísio Gomes, 59 anos, foi covardemente morto, seu corpo levado pelos pistoleiros. Junto com cacique, foram levadas três menores de idade, uma inclusive uma criança de cinco anos e outras dezenas de pessoas ficaram gravemente feridas. Outras pessoas se dispersaram nas matas com medo da morte.

A esperança de que estes que se refugiaram, ou que foram seqüestrados estejam vivo prevalece nos outros indígenas que permanecem no acampamento. Embora se sabe que em casos anteriores outros indígenas não tiveram a mesma sorte, como o caso de um adolescente que desapareceu em ataques semelhante à comunidade de Mbaraka’y no município de Tacuru, que não foi encontrado até hoje. Outro caso foi o do professor Rolindo Vera, desaparecido após ataque em Ypo’i no município de Paranhos, no ano de 2009.

Além dessas pessoas que morreram, que se foram sem saber para onde. Existem aquelas que estão sobre o risco de morrer a qualquer momento, entre essas pessoas podemos citar: Cacique Ládio, Vereador Otoniel, Cacique Ambrósio e Cacique Carlitos, e outras lideranças, e segundo informações uma Empresa Chamada de Segurança Privada SÉPRIA foi contratada para exterminá-los.
Não precisamos pesquisar muito para achar o verdadeiro culpado por esses assassinatos. O Governo é o principal culpado por essas e por tantas outras chacinas que tiveram índios como vítimas. O governo que esqueceu a constituição, para se aliar aos latifundiários, e juntos ceiam, enquanto banham com o sangue indígena. O mesmo caso questiona-se o papel do Ministério da Justiça que não cumpre com o que é suas responsabilidades em demarcar e proteger as Terras Indígenas.

*Estudante de História da UFRR
Militante do Movimento do Indígena

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