DEBATE ”PM NA USP” no campus de Pirassununga

19/nov/2011, 00h27

Julia Antongiovanni Joselevitch

O debate foi conduzido de forma a desmistificar e elucidar os motivos que levaram a presença da PM no campus, apontando à estreita relação existente entre o corrente reitor da USP (Rodas) e a policia militar. A exposição do histórico do reitor em tomar atitudes de violência usando a PM como braço da força governamental que ela realmente é levou ao questionamento do real papel dos policiais no campus, local onde, não diferente do que ocorre nas ruas de todo país, comete excessos e abusa de seu poder.

Foi discutido o ponto de que a universidade é o local de formação de novas ideologias e questionamentos políticos, e deste modo – por este motivo – a presença da polícia militar, órgão de força que se reporta diretamente ao Estado. Durante este período mais furtivo de sua atuação na USP, policiais abusaram de seu poder infiltrando-se em salas de aula à paisana, revistaram alunos que deixavam a biblioteca, causaram constrangimento a alunos que foram abordados mais de duas vezes na mesma semana, isso antes da apreensão dos estudantes que usarem drogas ilícitas e que gerou toda esta repercussão de revolta entre os estudantes que resolveram invadir o prédio da reitoria. Se a polícia militar se vê no direito de abordar estudantes e expulsar de forma violenta os invasores do prédio da Reitoria da USP, quem garante que quando for efetuado um protesto legítimo e que confronte de forma direta os interesses do senhor Reitor, este não se valha da forma policial militar para dissipar o protesto e agir de violência contra os estudantes que lutam por seus direitos?

Nós, estudantes universitários, temos como nosso direito e nosso dever, promover o desenvolvimento do pensamento político e devemos ter condições necessárias para que exerçamos essa função. Qual é nosso papel na universidade? O que estamos fazendo aqui?

Viemos para a universidade apenas para nos formarmos e ingressarmos no mercado de trabalho ou estabelecer novas idéias que melhorem o mundo em que vivemos? Estar na universidade, apenas com o intuito de estudar e se formar, vai ao encontro da política de ‘privatização’ da universidade, idéia da qual o atual Reitor é partidário: transformar a USP num centro de produção, no qual as pessoas entrem e saiam rápido e prontas para ingressar nas grandes empresas, fechando cursos que não se enquadram no padrão industrial e restringindo a amplidão de discussões e questionamentos que hoje existe dentro da universidade.

A grande verdade é que com esse rebuliço todo o movimento estudantil ficou desacreditado. O senso comum acredita agora piamente que na USP só tem maconheiro e baderneiro. E agora? E quando formos fazer uma manifestação legítima em que a maioria esteja à favor? Será que a mídia nos olhará com bons olhos? Será que nossos apelos serão ouvidos pela população? Será que o Reitor da universidade irá resolver a situação através do diálogo e acordos como deve ser feito? Ou mandará a tropa de choque ‘sentar o cacete’ em nossas cabeças para que nosso protesto seja disperso?

NÃO SE TRATA DA MACONHA!
NÃO SE TRATA DA PM NO CAMPUS.

É algo muito maior e mais profundo que vem acontecendo nessa Universidade e devemos parar de tomar posições opostas e nos unirmos, nem que seja para discutir. Muito obrigada e parabéns aos que compareceram e aos que não puderam vir nossos votos e um novo convite para que se façam presentes nos próximos debates.

“500 anos de Brasil e o que mudou? Quantos anos você tem, e o que você mudou?”

Toda Opinião Tem Espaço e Deve Ser Ouvida!

Pirassununga, 10/11/11

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017