Marcha das Vadias USP – Segurança sim! Violência não!

25/nov/2011, 00h37

A SlutWalk ou Marcha das Vadias teve origem na cidade de Toronto, no Canadá, e foi organizada como forma de protesto contra uma declaração do policial Michael Sanguinetti, em uma conferência sobre segurança na Universidade de York. O agente policial fez a seguinte afirmação: “Vocês sabem, eu acho que nós estamos fazendo rodeios aqui. Disseram-me que eu não deveria dizer isso, mas as mulheres devem evitar se vestir como vagabundas, para não se tornarem vítimas de ataques sexuais”.

O policial foi repreendido pela polícia de Toronto, mas certamente o objetivo das manifestações, que ocorreram em diversos países, é muito maior. Trata-se de chamar atenção para a idéia de que as vítimas de violência/estupro não são responsáveis pelo acontecimento, além de reafirmar a autonomia das mulheres sobre os seus corpos.

Nós mulheres que freqüentamos a USP, também sofremos formas de violência no nosso dia-dia, e em diversos momentos, a reitoria não assume nenhum tipo de postura de combate a isso. Muitas vezes, a reitoria se utiliza dos casos de estupro nos campi como argumento para a entrada da PM na USP. No entanto, poucas medidas efetivas estão sendo implementadas pensando neste problema. Em meio à crise de segurança instaurada na universidade, nós começamos a elaborar um projeto de segurança pública alternativo para a comunidade universidade que também refletisse nossas demandas:

Abrir a Universidade concretamente à sociedade não é apenas permitir a entrada de pedestres sem carteirinha a noite e aos fins de semana. É preciso rediscutir e construir atividades e espaços de convivência juntamente à acessibilidade aos campi. No caso específico do Butantã, essa pauta engloba a reivindicação por um maior número de ônibus, bem como de circulares, e que estes tenham seus horários à noite e aos finais de semana ampliados.

Manutenções paisagísticas no que diz respeito a poda de árvores e folhagens bem como aumento da iluminação são medidas que colaboram com a área de visão de todas e todos que passam pelo espaço, diminuindo as chances de pessoas serem surpreendidas por alguém que apareça subitamente.

A guarda universitária que há na USP hoje tem treinamento essencialmente focado na defesa patrimonial. É preciso que seja aberto um concurso público que dê condições objetivas de que as(os) funcionárias(os) tenham outro treinamento, que seja baseado nos direitos humanos e englobe a prevenção dos problemas de segurança e com um efetivo feminino que tenha treinamento para tratar de casos de violência à mulher, além de ser gerido por uma comissão paritária de estudantes, funcionários e professores, para assim a guarda universitária servir aos interesses da comunidade.

(trecho da Nota da Frente Feminista da USP sobre a segurança nos campi. Mais em: http://www.dceusp.org.br/2011/11/nota-da-frente-feminista-da-usp-sobre-a-seguranca-nos-campi/)

Neste dia 25 de novembro, dia de Combate à Violência contra a Mulher, será organizada uma Marcha das Vadias, que terá concentração na frente do bandejão central da Cidade Universitária a partir das 14h. Vamos lutar contra a violência e por segurança para as mulheres! Participe!

Evento: http://www.facebook.com/#!/events/248797851836594/

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Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017