Eleições gerais é a saída democrática para a crise

Júlio Câmara 30/mar/2016, 09h00

As manchetes dos grandes jornais noticiam o avanço da crise política que toma o Brasil e se aprofundou com as revelações da Operação Lava Jato. Abertamente assistimos uma disputa entre narrativas. A elite do país expõe o PT que, aos frangalhos, não é mais capaz de seguir aplicando o ajuste fiscal e retirando direitos dos trabalhadores e da juventude. O que querem os banqueiros, empreiteiros e todos os sanguessugas da dívida pública, é derrubar Dilma através de um impeachment e assim promover Temer que já anunciou uma agenda conservadora e antipovo.

Enquanto a Globo bombardeia contra o governo em rede nacional, pouco resta para defender Dilma. Seu aliado prioritário, o PMDB, anunciou que está fora do governo.

Para disputar a opinião pública, o governo impulsiona o sentimento de medo por entrarmos em um período de maior perda de direitos e sem qualquer liberdade de organização. O objetivo deles é fortalecer o governo nessa disputa que será definida entre acordões nos gabinetes do Congresso sem qualquer legitimidade. As presidências da Câmara e do Senado são ocupadas por dois corruptos reconhecidos publicamente: Eduardo Cunha e Renan Calheiros, ambos do PMDB.

As tentativas para solucionar a crise propostas pelo governo e pela oposição de direita terão o mesmo resultado: um forte ajuste fiscal, cortes nas áreas sociais, precarização da saúde, educação, moradia. Retrocessos nos direitos trabalhistas estão garantidos no programa de Dilma e de Temer até 2018.

Eu estou na lista dos incapazes de defender o governo que mantem com rigor uma política econômica que vem aumentando o desemprego, que resulta na perda de rendimento dos trabalhadores, que entrega o pré-sal e rifa a soberania nacional. Não posso defender o governo que a partir das grandes manifestações que protagonizamos em 2013, intensificou a criminalização dos movimentos sociais dispostos a construir uma saída pela esquerda e ainda sancionou a lei que considera manifestante um terrorista.

Dilma fez o que disse que Aécio faria. Para a democracia, enganar milhões de eleitores é um duro golpe. E vejo que pensando assim não estou sozinho. As pesquisas de opinião divulgadas nesse momento mostram que a grande massa jovem e trabalhadora do país não está disposta a defender o governo e nem aprova que Temer governe.

Nunca fui de me resignar a assistir essa disputa televisionada e financiada pelos grandes grupos econômicos, estou junto aos que apostam que a saída capaz de fortalecer a democracia é convocar @s brasileir@s a votarem novamente. É necessário um plebiscito revogatório para a população decidir se Dilma fica ou não e se novas eleições devem ser convocadas. Eleições gerais que escolha @ nov@ president@ e vice e renove o Congresso Nacional. Aposto em eleições gerais para defender a democracia.