O Brasil está em frenesi!

Juntos 30/mar/2016, 15h06

O Brasil está em frenesi. Não é todo dia que vazam áudios de um ex-presidente conversando com um punhado de autoridades, inclusive a atual comandante do país. O brasileiro tem agora até em áudios de WhatsApp (!) a comprovação de que os donos do poder são de carne e osso, xingam e reclamam ao telefone, solidarizam-se entre si. Tirando isso tudo, o que chama a atenção é o seguinte: o que de especial (além de serem telefonemas do Lula) revelam os áudios? Que justificativa pode ter um juiz como Moro para jogar isso à imprensa, no horário perfeito para o Jornal Nacional, com o claro intuito de inflamar o país e influenciar a política? Este é o papel de um juiz?

E então a situação se torna patética e indignante: hoje, a Folha de São Paulo tem um caderno inteiro de notícias especiais sob o título de “Governo sitiado”; FIESP paga anúncios ordenando “Renúncia já “; Rede Globo repercute qualquer aglomeração de três ou mais pessoas vestidas de verde amarelo, logo contribuindo para que a elas se somem centenas ou milhares. Nenhuma dessas empresas e de seus donos sobreviveria à publicização de 1 minuto de áudio que revelasse suas negociatas podres e sua ação política sorrateira! São canalhas profissionais! São os velhos golpistas brasileiros, que insistem em atuar de forma baixa e ilegal mesmo diante de um governo já plenamente derrotado por conta de seus próprios erros.

Dilma, por sua vez, Lula e todos seus companheiros, não merecem nenhum “abraço dos afogados” de nossa parte. Mesmo os áudios, que não deveriam ter vazado e nada revelam de ilegal, do ponto de vista da esquerda enojam: tenho nojo da amizade de Lula com Paes, de suas risadas; tenho nojo do anseio de impunidade geral que reivindica Lula ao apontar que investigam apenas ele, mas não Gerdau, Globo, SBT etc. Esta é a classe a que escolheu pertencer o petista – e para ele o correto seria todos serem salvos, na ampla e geral impunidade de sempre para os donos do poder.

A justiça sempre foi parcial e de classe, a diferença agora é que Lula está fora do jogo. O governo não dá uma bola dentro. Jogou na lata do lixo qualquer resquício da base social que possuía e não abre mão do ajuste. É massiva (e não apenas de coxinhas, embora estes talvez sigam os protagonistas das ruas) a indignação do povo contra qualquer coisa que o governo faça. Qualquer tiro sai pela culatra. Todos podem perceber isso conversando com qualquer pessoa na esquina de casa, no trabalho, na escola, no grupo de WhatsApp da família.

O governo Dilma acabou. A melhor e única saída seria convocar novas eleições gerais no país e dar ao povo o poder de votar e decidir. Só assim a vitória não será jogada no colo dos golpistas e a esquerda pode se fortalecer ao lado da soberania popular e dentro do Estado Democrático. De nada adianta um governo que só pense em salvar sua própria pele.

 

Pedro Serrano é do Grupo de Trabalho Nacional do Juntos

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