Solidariedade à Luciana Genro! Juntas vamos derrotar o machismo e refundar a política

Giulia TadiniSâmia Bomfim 30/mar/2016, 17h27

Luciana Genro ficou conhecida nas eleições de 2014 por ser uma mulher corajosa que defendia um programa que representava a demanda de movimentos sociais e do levante de junho de 2013, especialmente as bandeiras do movimento LGBT e feminista. Pela primeira vez na história, uma candidata defendia a necessidade de legalizar o aborto no Brasil e combater a violência contra a mulher. Ouviu muitas críticas e comentários machistas, tentando a desqualificar como mulher, como feminista, muitas vezes associando à figura de seu pai. Mas ela não teve medo de cara feia: “Não levante o dedo pra mim”! Nós do Juntas apoiamos Luciana Genro e temos nela uma grande inspiração. Somos milhares que tomamos as ruas do Brasil para mandar Aécios e Cunhas abaixarem seus dedos e seu machismo. Sua figura expressa uma política radicalmente diferente da lógica dos palacetes e das negociatas, pois contesta os privilégios das elites, apresentando uma alternativa feminista e à esquerda ao governo e à oposição de direita.

Nos últimos dias, Luciana publicou seu posicionamento frente à atual crise política e tem sido muito atacada por isso. O debate, na maioria das vezes, não fica no campo das ideias, mas dos ataques violentos, machistas e misóginos. O mais grave deles se deu por parte de um militante petista, jornalista do portal Opera Mundi, Breno Altman. Em um post no facebook, ele a ameaçou de morte. Essa postura representa a deterioração do petismo, que não se dá somente no campo ético e político. Ela é uma deterioração também humana, pois apela para o que há de pior das experiências políticas da História para atacar uma das mais importantes lideranças feministas e de esquerda que o Brasil está formando.

Mas esta postura, infelizmente, não é uma surpresa: ela reflete a prioridade de se aliar a partidos como PP e PMDB ao passo que abandonava os movimentos sociais. E também a falta de compromisso com as mulheres que o petismo teve no seu governo, quando, por exemplo, cortou pela metade a verba de combate à violência contra a mulher. No oito de março esse ano, várias militantes da oposição de esquerda foram agredidas por homens e mulheres do PT por terem se posicionado contra o governo Dilma.

Uma política feminista não agride mulheres, mas as empodera e defende seus direitos. Por isso o movimento feminista tem crescido e se fortalecido cada vez mais de forma autônoma e independente ao governo e Luciana é uma de suas expressões.

Por que referendo e eleições gerais?

A Direita tenta canalizar a indignação do povo com o governo Dilma propondo um impeachment, organizando grandes manifestações em todo o país, criticando a corrupção e tentando se postular como alternativa. Mas esta Direita não representa o povo e não têm nenhum compromisso com a pauta das mulheres. São os sujos falando dos mal-lavados!
Por outro lado, a permanência ou não de Dilma na presidência da República está sendo definida através de acordos e negociatas. Se por um lado Temer, Cunha e Aécio Neves se articulam com os partidos de Direita para garantir o impeachment, por outro, Dilma tem como principais aliados Paulo Maluf e Collor para garantir os acordos necessários que evitem uma maioria que vote pela sua cassação. Isso porque eles, seus partidos e colegas de política foram os setores com os quais e para os quais ela governou nos últimos anos, garantindo seus privilégios ao mesmo tempo em que retirava os direitos do povo.

Por isso, Luciana tem como proposta a realização de um referendo e de eleições diretas, a qual nós do Juntas apoiamos, pois ela visa dar ao povo o poder de decisão e retirar desses homens corruptos e machistas o poder e o controle sobre a vida política do país. As articulações de engravatados e negociatas não nos representam! As mulheres das periferias, as secundaristas, as feministas que constroem a Primavera das Mulheres não estão contempladas nesta troca de favores e negociações. Precisamos radicalizar a democracia e fortalecer aquelas que no último período têm reinventado a política. Para isso, precisamos retirar a decisão do poder de Cunhas, Malufes e Aécios e dar voz às mulheres.

site juntas 2

Primavera das Mulheres: refundar a política para construir uma sociedade livre de machismo!

Estamos nas redes sociais, escolas, universidades e bairros lutando contra o machismo, mas vamos além: estamos ocupando o centro das disputas políticas. Desde o levante de junho de 2013, as lutas que explodiram no Brasil contestando o sistema político e as injustiças sociais tiveram grande participação de mulheres e, no último período, fomos protagonistas de grandes lutas. Nas ocupações das escolas em São Paulo, meninas enfrentaram a polícia e a truculência do governo do Estado e derrotaram Alckmin. Nas ruas, dizemos não ao PL5069, mas também conseguimos retirar a máscara de bom moço de Eduardo Cunha, que hoje é conhecido pela população como um corrupto inimigo das mulheres e de todo o povo.

O avanço simbólico de termos uma mulher como presidenta não significa mais direitos para as mulheres. Precisamos refundar a política para ter uma sociedade livre de machismo! O atual cenário de crise política é resultado de anos de governos petistas que se amparam em negociatas e acordões com os setores mais podres da política nacional e agora está sem nenhuma credibilidade com o povo. Para salvar o lucro das elites, sustentou-se em uma lógica de troca de favores, ao passo que ataca os direitos da população. A Primavera das Mulheres está reconstruindo a forma de fazer política no país. Podemos construir uma alternativa de poder, que coloque os direitos do povo e das mulheres em primeiro lugar e a proposta de eleições gerais é uma oportunidade para aprofundar o debate sobre nossos direitos, que tem sido ainda mais abandonados nesse cenário de crise.

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017