As doulas e o direito ao corpo

Ana Carolina 18/abr/2016, 18h46

Nesta terça-feira, 12, as doulas participaram de uma audiência com José Fortunati para conversar sobre o projeto de lei 048/14, que impediria o trabalho das acompanhantes de parto, com a emenda do vereador Thiago Duarte. O prefeito comprometeu-se em vetar o PL ao término da audiência, uma vitória das mulheres! Esse projeto, no entanto, abriu uma série de debates e questionamentos importantes, como a autonomia do corpo da mulher e o trabalho fundamental das doulas.

Afinal, quem são as doulas?

Também conhecidas como acompanhante de parto, seu trabalho consiste em prestar suporte físico e emocional para as gestantes, antes, durante e após o parto. São responsáveis por transmitir tranqüilidade, segurança e conforto para a grávida. Segundo a doula Marta Sabocinski elas “Promovem através de seu trabalho conforto físico e emocional, aliviando dores e tensões comuns e esperadas de um trabalho de parto, fazendo uso de métodos não farmacológicos e não invasivos para isto (massagens, exercícios de respiração e a técnica do rebozo por ex), utilizam-se de diversas posições facilitadoras para o parto que além de promoverem a descida do bebê por geralmente serem posições mais verticalizadas e que ampliam a pelve feminina, também oferecem conforto durante os ápices da dor e descanso necessário enquanto possível.”

Retirar as doulas da sala de trabalho de parto, também é retirar direitos das mulheres, retirar o direito ao corpo e o direito à escolha. Um dos argumentos do vereador é que as acompanhantes de parto trazem riscos para as mães, porém a OMS (organização mundial da saúde) reconhece que partos feitos com a presença de doulas têm menos sofrimento e são mais humanizados. Mais uma vez o corpo da mulher deixa de ser privado e torna-se patrimônio público, o Estado mais uma vez tentando tirar uma escolha que deveria ser somente da mãe, já que é sobre seu filho e seu corpo. “A DOULA hoje no atual cenário obstétrico brasileiro, onde o protagonismo do parto ainda é do médico e da equipe e não da mulher, onde os partos que, quando existem, são em sua grande e avassaladora maioria recheados de intervenções desnecessárias e violência obstétrica – quando não se transformam em cesárea, (Brasil campeão Mundial de cesarianas), é fundamental para que o resgate do protagonismo da mulher no parto seja restituído, e com ele tenhamos nossos corpos e partos novamente” acrescenta Marta.

A maternidade não pode ser um tema negligenciado no movimento feminista, não podemos deixar que os corpos das mulheres sejam propriedade do Estado, não podemos fechar os olhos para milhares de mães que tem seus corpos mutilados no trabalho de parto e que estão sofrendo todo tipo de violência obstétrica. É notória a falta de preparo dos médicos para tratar as gestantes, diariamente surgem novos relatos que mulheres que não puderam escolher a forma de ter seus filhos, que ficaram sem acompanhantes, que foram ofendidas e humilhadas pelos profissionais da saúde.

A luta é pelo direito às doulas, direito ao corpo e pela vida das mulheres.

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017