Dia da Maconha: fumar, lutar e legalizar!

20/abr/2016, 19h11

Por Rui Santiago Rosa e Pedro Micussi*

No dia 20/04, ou 4/20 como sugere os ingleses, se comemora mundialmente o dia da maconha. Mas há o que se comemorar? Sem dúvida. Internacionalmente vemos uma mudança de tom em relação a proibição da cannabis, diversos países já alcançaram a tão sonhada legalização, seja por uso recreativo, seja por uso medicinal, depois de anos de perseguição, propaganda e uma política de drogas falida, a guerra às drogas tem sido aos poucos derrotada.

Matéria-prima seja do cânhamo, seja de baseados, verdade seja dita, trata-se a maconha de uma planta com inúmeras versatilidades que vai desde o uso medicinal, o uso recreacional até insumo básico para produtos manufaturados ou até alternativa para resolver problemas ambientais. Nada mais justo que celebrar o dia da maconha e relembrar suas quatrocentas e vinte possibilidades de uso numa era em que vivemos sob a arbitrariedade de ter seu consumo proibido.

Se a maconha por si só já é motivo de celebração, precisamos dizer também que, se tomarmos a forma como ela é tratada hoje pelo poder público brasileiro, haveriam menos razões para sorrir do que chorar. Só para ficarmos apenas atentos à faceta mais horripilante da guerra às drogas brasileira, nunca é demais lembrar os milhares de mortos e presos ligados direta ou indiretamente ao tráfico e à violência causada por este e a polícia, há de se dizer que o alvo da proibição tem cor, classe e endereço, negrxs, mulheres e pobres são os que mais sofrem.

Motivos como esse que fazem nós do Juntos Pela Legalização virmos a público nesse dia dizer a cada simpatizante da causa, usuário ou não, que diante desse cenário a mobilização é nossa única saída. Este ano, mais uma vez, em dez dias se dará inicio o maio verde. É o mês em que o país inteiro se pinta com a cor mais bonita de nossa bandeira para marchar pelo fim da injusta proibição à cannabis e às inúmeras mazelas que a repressão a ela e as demais drogas traz para toda a população.

Desde 2014, está nas vias judiciais, um processo que pode abrir precedente para descriminalizar a maconha no Brasil, o qual está desde o final de agosto do ano passado em julgamento no Supremo Tribunal Federal. Em um julgamento com 11 ministros, o “placar” está com 3 votos favoráveis para considerar a proibição do porte da cannabis como inconstitucional, porém, a votação está paralisada, por pedido de vistas no processo, desde o final de setembro.

No plano legal, a descriminalização pode parecer somente um pequeno avanço, mas deve ser vista como um primeiro grande passo para articular a luta antiproibicionista. Uma vez que o judiciário não vê o porte como algo “criminoso”, por que o usuário, o traficante e todos envolvidos no cenário da guerra às drogas devem também? E mais, por que continuar com esse sistema onde não sabemos a qualidade, a procedência do que consumimos? A proibição além de falhar de acabar com o tráfico (pelo contrário, até financia-lo) e ter um plano de genocídio nas periferias, ela é prejudicial a todos usuários.

Por tudo isso que foi dito, nós do Juntos Pela Legalização decidimos intervir nas tradicionais Marchas da Maconha. Para pressionarmos o STF a continuar o processo até a descriminalização. Mas não somente, não achamos que nossa luta deve parar por aí. Achamos que devemos lutar até essa proibição cair, até legalizarmos a maconha e todas as outras drogas que tem hoje a venda e o porte proibidos. É assim que devemos acender a chama do debate e dizer:

Descriminaliza STF Marchar até legalizar!
Se a gente se unir, a guerra aos pobres vai cair!

*Rui Santiago Rosa e Pedro Micussi. Os dois são militantes do Juntos Pela Legalização de São Paulo e ajudam na construção da Marcha da Maconha na capital do estado.