Na França: a juventude sem medo entra na rota dos indignados

Yuri Guilherme 03/maio/2016, 23h12

A primavera da juventude internacionalizou! Há pouco mais de dois messes a juventude francesa entrou na rota dos indignados. NUIT DEBOUT, traduzido para o português significa ‘Em pé a noite inteira’, é o movimento que tem encabeçado as manifestações por toda a França. Assim como no Brasil e no Chile, os estudantes franceses, em especial secundaristas, têm sido peças fundamentais para o movimento ganhar a força. Em várias cidades da França os jovens franceses tomaram as praças, a princípio contra a mudança nas leis trabalhistas que visam deixar ainda mais precários os trabalhos dos jovens. Aquecidos com a coragem de enfrentar o governo, os estudantes pararam as atividades das maiores centrais estudantis do país, a UNL (Union Nationale Lyceéne) e a FIDL (Federação Independente e Democrática dos Estudantes Secundaristas). O governo Hollande, do Partido “Socialista”, resiste em não ouvir as vozes da juventude: o único diálogo que ele oferece é a polícia mandado bala de borracha e gás lacrimogênio.

Não é de hoje que a juventude secundarista tem protagonizado papeis fundamentais em lutas históricas contra governos autoritários e corruptos pelo mundo. Essa nova geração de juventude tomou as ruas de Santiago no Chile com 100 mil pessoas marchavam contra o modelo educacional chileno, e pela educação publica e gratuita. No Brasil a juventude indignada abriu junho de 2013 com mobilizações que se estenderam pelo Brasil inteiro, milhares de jovens indignados inundaram as ruas não só por 0,20 centavos, era por saúde, educação, segurança e mais direitos. Dando continuidade ao levante popular de junho de 2013, Os secundaristas ano passado deram um exemplo de resistência, ocupando mais de 200 escolas no estado de São Paulo contra um projeto de reorganização do crápula do Geraldo Alckmin que previa fechar mais de 90 escolas sem consultar os estudantes e pais. Não se contentando em tentar fechar as escolas, Alckmin rouba o dinheiro da merenda escolar dos estudantes das Etecs e Fatecs. Mais uma vez os estudantes mostram que não estão de brincadeira e ocupam o Centro Paula Souza.

Quando o governo pensou que teria sossego, na última segunda-feira dezenas de estudantes das Etecs e Fatecs ocuparam o Centro Paula Souza. Em resposta, o governo como de costume responde mandando policiais militares para reprimir os manifestantes, porém mantendo a mobilização, os estudantes conseguiram uma vitória, revertendo a decisão judicialmente. A onda de ocupações contagiou outras cidades: no Rio de Janeiro e Ceará os estudantes ocuparam escolas denunciando o descaso na rede publica de educação, e em Goiás escolas foram ocupadas pelo fim privatização da educação.

O que estes novos movimentos tem mostrado é que quando organizados sobre bases profundamente democráticas é possível construir saídas que levam à vitória. A juventude quer ter voz para si, e as estruturas identificadas como “velha política” – presentes não apenas na direita conservadora, mas em muitos partidos e organizações de esquerda – são o principal alvo daqueles e daquelas preocupados em construir uma democracia real.

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017