Transformar nosso luto em luta

Marina Ćurak 27/maio/2016, 09h24

Dia 25 de maio de 2016, uma jovem de 16 anos foi dopada e estuprada por mais de 30 homens na zona oeste do Rio de Janeiro. Os criminosos filmaram seu corpo violado, postaram vídeos e fotos nas redes, vangloriando-se de suas atrocidades. A consternação, o horror e a perplexidade tomaram conta de todas as mulheres. Indignadas, formamos grupos e redes de apoio em busca de informações sobre a segurança da jovem, desaparecida até então. Lotamos as redes com protestos e pressionamos as autoridades por respostas. Foram mais de 800 denúncias ao Ministério Público.

A barbárie ocorrida nessa quarta-feira só expôs a ponta o icerberg. 130 mulheres são estupradas todos os dias no Brasil. Estima-se que apenas 10% dos casos de violência sexual sejam reportados às autoridades. Enquanto isso, no Congresso, dois projetos de lei, de autoria de corruptos e reacionários, tentam dificultar o atendimento médico e o aborto para vítimas de estupro. E na disputa eleitoral, teremos um espancandor de mulher na corrida, o candidato Pedro Paulo. Mas, não nos calaremos.

Nós, mulheres, temos a incrível capacidade de tirar força e união dos momentos de dor. Nossa mobilização nos traz alento e esperança em meio à brutalidade. Lotaremos as ruas para que nossas vozes sejam ouvidas. Nossos corpos não estão à disposição. Ninguém pode legislar sobre eles. Nossas vidas valem.

Quer participar da campanha?

1) Troque sua foto de perfil: http://twibbon.com/Support/fim-da-cultura-do-estupro, já são mais de 400 mil pessoas usando.

2) Também organize e participe de atos na sua cidade: https://www.facebook.com/events/628871350603095/

Juntas transformaremos o mundo. Juntas podemos tudo.

*Marina Curak é mentora da campanha “eu luto contra a cultura do estupro”.