Vitoria dos estudantes no Paraguai: a luta é nosso idioma

Shirley MacLaine 16/maio/2016, 10h44

O 11 de maio de 2016 ficará na história do Paraguai como o dia em que os estudantes deste país conseguiram fazer com que um governo assumisse a sua responsabilidade histórica com a educação aceitando todos as reivindicações do corpo estudantil paraguaio.

O movimento de indignação eclodiu em 3 de maio de 2016 quando estudantes ocuparam o Colégio República Argentina de Asunción exigindo a renúncia ou demissão da ministra da educação Marta Lafuente. O movimento tomou conta do país e em apenas três dias fez com que o governo aceitasse a renúncia da ministra Marta Lafuente no dia 5 de maio. A ministra foi acusada de estar envolvida em um esquema de superfaturamento na licitação para a compra de água e alimentos e pelo autoritarismo que exerce contra estudantes e professores. A primeira vitória se concretizou, mas mesmo com a queda da ministra os protestos e ocupações continuaram até que o presidente Horacio Cartes se reunisse com representantes dos estudantes e assinasse um termo de compromisso com suas demandas.

Membros da Organización Nacional Estudiantil (ONE), A Unión Nacional de Centros de Estudiantes del Paraguay (UNEPY), A Federación Nacional de Estudiantes Secundarios (FENAES) e líderes estudantis de escolas que dobraram os protestos de forma independente se reuniram e comunicaram algumas das exigências. Entre elas, revogar a resolução n º 4613, que regulamenta as organizações estudantis, fortemente criticada pelos alunos por seu carácter restritivo, a declaração de emergência nacional em instituições que têm a infraestrutura em estado crítico, solicitaram a criação de um grupo de trabalho para abordar os seguintes pontos: a reforma educacional e reengenharia do MEC, aumento gradual do produto interno bruto (PIB) para a educação, formação de docentes e merenda escolar.

Como vemos, a luta dos estudantes secundaristas do Paraguai se assemelha muito com a luta dos estudantes brasileiros, escândalos envolvendo merenda escolar, repressão nas ocupações, governantes dizendo não encontrar tempo na agenda para reunir e debater sobre a educação. A resposta no Paraguai foi firme! “Em nuestra agenda no está rendirnos” no Brasil não é diferente, os estudantes secundaristas de São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará, Rio Grande do Sul e universitários resistem, ocupam as escolas e as ruas na luta pela educação.

Após 9 dias de luta no Paraguai com mais de 100 escolas ocupadas, centenas e centenas de marchas, “sentatas”, manifestações, e sobretudo milhares e milhares de estudantes mobilizados que finalmente conseguiram o que poucos conseguiram no país: obrigar o governo e o presidente da República a aceitar todos os pedidos e a assinar um compromisso formal para o seu cumprimento.

No dia 11 de maio de 2016 deu-se a segunda e grande vitória do movimento estudantil paraguaio, mas que ninguém duvide, este é apenas o primeiro passo de uma longa luta, porque falta muito ainda aos estudantes para concretizar uma educação verdadeiramente inclusiva, democrática e de qualidade.

A vitória dos secundaristas paraguaios nos motiva ainda mais e renova nossas forças para lutar e nos mantermos de pé dia e noite. Para a juventude não só do Paraguai, mas do Brasil, do Chile, da Argentina, da França e do mundo inteiro:

El miedo no es nuestro idioma, la lucha sí!

O medo não é nosso idioma, a luta sim!

Referências

http://www.abc.com.py/nacionales/estudiantes-paraguayos-tumbaron-a-lafuente-1476803.html http://www.hoy.com.py/nacionales/alumnos-definen-peticiones-para-reunion-con-cartes