Secundaristas que ocupam: a geração para lutar e vencer

Fabiana Amorim 16/jun/2016, 10h53

Apesar de jovem, já fazem alguns significativos anos que eu acompanho o movimento secundarista. Não preciso nem dizer que nunca vi nada parecido com o que foi e está sendo as ocupaçoes de escola no RS e no Brasil. Sei que pelo menos duas gerações antes de mim também não viram. Para além das vitórias concretas que conseguimos arrancar deste governo capenga, os e As estudantes tomaram pela primeira vez em suas próprias mãos a sua escola. Puderam saber o que é liberdade e disciplina. Puderem ter aula de gênero, sexualidade, política, diversas artes, esportes, alimentação, modo de vida e tantas outras coisas que a escola nem de perto nos ensina.

Sei que algumas pessoas não ficaram satisfeitas por completo com o adiamento da votação da PL 44, mas com a luta também aprendemos o que significa a correlação de forças: avançamos com o ascenço, negociamos com o descenço para garantir vitórias. Nós não seremos aqueles que voltarao para a casa com a barraca nas costas depois de desocupar a escola por puro cansaço, mas seremos aqueles que voltarão para a casa com a certeza que a luta conquista e que com nosso empoderamento podemos ir muito longe.

Mais do que qualquer coisa, estou convicta que não retrocederemos. O salto de consciência em cada jovem renderá uma geração de lutadores. O movimento secundarista no RS e no Brasil seguirá sendo um dos pólos mais radicalizados e dinâmicos, que não deixará passar nenhum retrocesso que tentem nos empurrar. Somos o que de melhor junho/2013 produziu. E assim como a revogação do aumento da passagem, nós vencemos mais uma vez. Ainda estamos muito distantes do que queremos para a educação, mas é justamente por isso que apenas começamos.