Nota de repúdio ao assassinato de Cloudione Souza, indígena da etnia Kaiowá

Filipe Cruz Lima 21/jun/2016, 20h01

 

O indígena da etnia Kaiowá Cloudione Souza, 26 anos, foi assassinado em um ataque dentro da Terra Indígena (TI) Dourados-Amambai Pegua I, no município de Caarapó (MS), cidade localizada a 273 km da capital Campo Grande. Cloudione era agente de saúde indígena e foi baleado na manhã desta terça-feira (14). O tiroteio deixou ainda dez feridos, inclusive uma criança, segundo relatos de indígenas. As informações são do Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

Fatos como esses, são as maneiras mais extremas em que o genocídio se manifesta. Há vários discursos que alimentam o preconceito e estimulam o genocídio. O discurso da grande mídia de que lugar de índio não é na cidade alimenta o genocídio. O discurso de ruralista de que tem muita terra para pouco índio alimenta o genocídio. O discurso de que índio é preguiçoso alimenta o genocídio. O discurso “desenvolvimentista” de que os índios são um entrave para o desenvolvimento do país alimenta o genocídio. A ditadura continua contra os indígenas e ela é protagonizada, sobretudo, pelo agronegócio e pela ideologia desenvolvimentista.

O governo Dilma já se mostrava indiferente as pautas indígenas, foi o que menos demarcou terras indígenas e isso contribui para que os assassinatos contra esses povos ocorram de forma acentuada. Sem demarcar as terras indígenas, as chances de conflitos por terra são ainda maiores!

Com o governo interino de Michel Temer, temos assistido vários retrocessos que afetam os variados segmentos da sociedade. O governo de Temer é fruto de um golpe palaciano e representa uma manobra da elite deste país e uma ameaça muito grande aos povos indígenas. Dias depois de assumir o Ministério da Justiça no governo provisório de Michel Temer (PMDB), o ex-secretário de Segurança do estado de São Paulo Alexandre de Moraes afirmou à imprensa que ações de grupos que ocupem terras – em referência ao Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), citado pelo ministro – “vão ser combatidas assim como os crimes”. Isso mostra a que veio este governo interino, é para colocar aqueles que lutam contra os poderosos na ilegalidade.

Até quando isso vai persistir? Até quando os grandes meios de informação ficarão calados diante disso? Até quando ficaram impunes aqueles que passam por cima de pessoas, de povos, em detrimento de seus interesses? É de extrema importância que nos mobilizemos contra o genocídio de indígenas e para que estes assassinos sejam presos!

Exigimos a apuração de mais essa barbárie e reafirmamos que sempre estaremos ao lado dos povos indígenas do Brasil, os verdadeiros defensores da vida.

#prisaoaosassassinos#naoaogenocidioindigena#foratemer

*Felipe Lima é estudante de geografia da USP