Pra cada 1 que cai, 50 vão se levantar contra a LGBTfobia!

Bruno Zaidan 14/jun/2016, 14h22

Quando acordei no domingo de manhã, esperava que fosse mais um Dia dos Namorados como todos os outros. Os casais postariam suas fotos, os solteiros, como eu, fariam qualquer outra coisa da vida e seria só mais um domingo. Na hora que vi a notícia do massacre contra as LGBT em Orlando, meu coração caiu. Não só não era um dia qualquer, como virou um dia de luto e dor.

50 mortos. 50 LGBTs mortas. 50 irmãos e irmãs mortas. Não conseguia tirar esse número da cabeça. E a balada Pulse, em que o massacre aconteceu, era uma balada como essas que a gente tem aqui. Poderia ter sido na Lôca, ali na Augusta, ou na Blue Space. Poderia ter sido com um amigo meu. Poderia ter sido eu.

Já participei de muitos atos para chorar os nossos mortos. Foi Marcus Vinicius, foi Laura Vermont, foram tantos outros dos que morrem diariamente no Brasil. Só no ano passado, foram mais de 300 pessoas mortas por serem LGBTs. Não aguento mais ter que chorar nossos mortos, ter que olhar pra trás em cada rua que eu entro pra ver se não estão vindo com uma lâmpada, ter que pensar duas vezes antes de beijar, abraçar ou até dar a mão para quem eu amo.

E a culpa disso não é só do atirador. A culpa também é daquele cara que olha torto quando me vê passando na rua. Daquele que me chama de viado, na minha cara ou pelas minhas costas. A culpa é dos vereadores que votam pra que não se discuta gênero na educação. É do Bolsonaro que diz que espancaria um filho se ele fosse LGBT. É do Feliciano quando ele diz que as LGBTs usam esse massacre pra se promover, simplesmente porque sabemos que esse ato não foi só um ato terrorista (e talvez sequer tenha sido um ato terrorista), e sim um ato de LGBTfobia.

A culpa é dessa sociedade LGBTfóbica. Por isso fui pra rua no domingo, e por isso vou pras ruas todos os dias. Porque estou cansado de tudo isso, estou cansado dessa cultura que diz que somos seres anormais e que podemos ser tratados como lixo e descartados da sociedade. Mas nós não vamos ficar calados. Não vamos deixar que eles façam o que quiserem. O mundo também é nosso, e vamos ocupá-lo, querendo eles ou não.

O ato-vigília no domingo, em São Paulo, foi importante pra isso: nos juntamos pra chorar juntos. Mas cada vez que choramos juntos, percebemos que não somos poucos. Somos muitos, espalhados por aí, em Orlando, em São Paulo, em todos os lugares. E o maior medo deles é que a gente perceba que quando nos unimos, somos mais fortes do que qualquer LGBTfóbico. Se eles acham que podem acabar com a gente, vamos mostrar que pra cada 1 nosso que cai, 2, 3, 50 se levantam pra dizer que não vão nos derrotar!