#VidasNegrasImportam: ocupar as ruas contra o racismo e por mais direitos

JuntosJuntos Negras e Negros 12/jul/2016, 10h33

Por Grupo de Trabalho Nacional do Juntos e Juntos! Negras e Negros

Não é novo que o povo preto sofre cotidianamente com a violência policial. A negritude tem resistido por centenas de anos contra isto e agora não é diferente. Nos Estados Unidos, negras e negros têm se reorganizado em defesa de suas vidas. Com a intensificação e radicalização dos protestos em 2014, principalmente em memória de Eric Garner e Michael Brown, jovens negros assassinados pela policia americana, a nova geração de ativistas negras e negros abraçou com força a cultura de promover atos de rua cada vez que uma pessoa negra fosse vítima da violência racista. Não à toa, o que começou em 2014 como um movimento de redes, transformou-se em um movimento negro renovado, organizado e nacionalizado nos Estados Unidos, o Black Lives Matter.

Esta é uma expressão da tomada de consciência do povo negro dos EUA, que compreendem cada vez mais a necessidade de organizar a resistência para não aceitar de forma alguma o racismo e o genocídio da negritude.

Um reflexo desse fenômeno é que desde os Partido dos Panteras Negras, e mesmo com a brutalidade na repressão policial, a negritude não deixou de ousar, tampouco aceitou ter medo. Afinal, é resistir ou morrer.

Recentemente, novos casos fizeram com que negras e negros ocupassem as ruas novamente. Os assassinatos brutais de Philando Castile e Alton Sterling desencadearam atos radicalizados em várias cidades, como em Dallas, onde 5 policiais foram assassinados. E isto é um reflexo da violência sistêmica que diariamente sofre o povo negro ao longo da história.

Sábado (9) foi o terceiro dia de mobilização nacionalizada. Maryland, Chicago, Nova York, Louisiana, Minessota, Nashville, California, Washington, Atlanta e Florida foram palco de protestos na última semana, que envolveram milhares de pessoas em trancamentos de vias, como a 5ª avenida em Nova York com mais de 1000. Mais de 200 pessoas foram presas durante os protestos, o que não impediu que tivessem atos marcados em pelo menos mais 10 estados durante esta semana.

Nós temos visto cada vez mais a radicalização desta luta. Entendemos a necessidade de reorganização da negritude e da importância de organizar a resistência em meio a tanta violência policial, racismo, genocídio, hipersexualização das mulheres negras. Como Coletivo, nos cabe prestar solidariedade internacional a esses processos de luta que, além de emparedar uma construção histórica racista, aponta fissuras no regime instalado.

É preciso seguir na luta em memória de Mike Brown, Eric Garner, Philando Castile, Alton Sterlin. Mas precisamos também aprofundar a luta não só por memória, mas para que casos como o de Claudia, Amarildo, Antônio, Luana e Diego não aconteçam mais. É preciso avançar na luta à partir da resistência, nos solidarizar com a negritude em luta nos EUA e ocupar as ruas, praças, favelas e morros em defesa de nossas vidas e direitos. Como no Rio de Janeiro, Porto Alegre, Salvador, Belém e Brasília, onde aconteceram ou acontecerão atos em memória de Diego, tomar as ruas e denunciar o racismo e reinvidicar mais direitos.

É preciso construir um novo modo de olhar para as vidas. Um modo que seja capaz de dizer que as #VidasNegrasImportam!

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017