AS MULHERES NO MUNDO ESTÃO EM LUTA: NÃO ACEITAMOS NEM UMA A MENOS!

Fabiana AmorimTássia Lopes 21/out/2016, 11h58

“Desde pequenas aprendemos que silêncio não soluciona
Que a revolta vem à tona, pois a justiça não funciona
Me ensinaram que éramos insuficientes
Discordei, pra ser ouvida, o grito tem que ser potente”

(100% Feminista, Mc Carol e Karol Conka)

Drogada, empalada e estuprada por vários homens até a morte. Lucía Pérez, de apenas 16 anos, foi assassinada na cidade costeira de Mar del Plata na Argentina e reascendeu a onda de mobilizações de mulheres contra o feminicídio na América Latina.

O movimento “Ni una menos” têm denunciado os assassinatos de mulheres e mobilizado milhares contra a violência de gênero na Argentina. Já no ano passado, havia levado mais de 150 mil às ruas de Buenos Aires. Ontem, após a trágica morte de Lucía, mais uma vez, mais de 100 mil mulheres ocuparam as ruas da Argentina, realizando uma greve com o mote “Se nossas vidas não valem, produzam sem nós” como forma de pressionar a sociedade e dar um basta ao machismo. Sobretudo, para cobrar que o governo Macri aprove uma lei de emergência com medidas concretas contra o feminicídio no país. Em todo o mundo as mulheres nas redes e nas ruas se solidarizam.

Em maio deste ano um caso brasileiro ganhou repercussão internacional e tomou as ruas do Brasil. Uma jovem, também de 16 anos, foi estuprada por 33 homens no Rio de Janeiro. O caso gerou revolta nas redes sociais e ocupou, no dia 1º de junho, as ruas por todo o Brasil, milhares de brasileiras protestaram POR TODAS ELAS: por todas as mulheres vítimas de estupro. Ainda na quinta-feira (20/10) foi noticiado, mais uma mulher fluminense, dessa vez em São Gonçalo, sofreu um estupro coletivo.

A primavera feminista não acabou e é internacional. Seja no caso dos “33 contra todas” em solidariedade à jovem abusada no Rio, seja o “Ni Una a Menos” que tem ocupado as ruas na Argentina, até mesmo na greve das polonesas contra o retrocesso da lei do aborto no país a qual saíram vitoriosas, as mulheres do mundo inteiro estão se mobilizando contra o machismo. O feminicídio, a violência doméstica e o estupro são produtos de uma sociedade machista e perigosa a nós, que ainda se perpetua.

Já deixamos evidente que não aceitaremos mais viver num mundo que nos exclui, nos fere e nos mata. Estamos em luto e em luta por Lucía, pela indiana estuprada coletivamente em um ônibus e morta em 2012, pela adolescente estuprada por 33 homens, pelas quatro adolescentes assassinadas em Castelo/Piauí que foram estupradas e jogadas de um penhasco por 5 homens ano passado, pela Gisele que teve suas mãos e seus pés amputados pelo seu marido quando quis se divorciar no RS, pelas meninas sequestradas na Nigéria e por tantas milhões que ainda são sufocadas pelo machismo.

Segundo o Fórum de Segurança Pública, a cada 11 segundos uma mulher é estuprada no Brasil, estima-se que os números são maiores uma vez que, muitas vezes não há denúncia registrada. Somos o 5º país que mais mata mulheres segundo o Mapa da Violência de 2015. Ao mesmo tempo que temos essas estatísticas alarmantes, temos também um aumento de denúncias no Disque 180: a primavera feminista plantou a semente da quebra do silêncio.

Ao mesmo tempo que temos estatísticas alarmantes, temos serviços públicos precários para as mulheres: desmonte (além das poucas unidades) das delegacias especializadas ao atendimento à mulher e poucas casas abrigo para mulheres vítimas de violência doméstica são alguns dos exemplos. Enquanto temos de um lado a precariedade e omissão de todos os governos com essa pauta, vimos nesse mês aprovar a PEC 241 de congelamento de gastos por 20 anos onde as mulheres serão novamente afetadas em todas as áreas. Nesse bojo de ataques de Temer também está o aumento da idade da aposentadoria para nós.

Não iremos mais nos calar. A nossa força empurrou o Cunha para a cadeia (a partir dos atos nacionais ano passado contra a PL 5069), a nossa força aumentou as denúncias no Disque 180 e a nossa força elegeu feministas nas Câmaras de Vereadores. A nossa força é internacional: das argentinas, das polonesas, indianas, nigerianas e das mulheres curdas. É tempo de luta feminista, vamos irradiar cada vez mais a nossa primavera feminista: nem uma a menos!

 


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Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017