20 de novembro é todo dia!

Erick Andrade 20/nov/2016, 17h50

O dia que marca a lembrança do assassinato de Zumbi dos Palmares marca também a resistência diária do povo negro.. Mesmo com a abolição da escravidão, fruto de muita luta, o racismo não acabou. A abolição não veio acompanhada de políticas de reparação. Muito pelo contrário, às negras e negros couberam postos de trabalho em regimes de semi-escravidão e guetização nas áreas mais distantes do centro, mais precárias.

Não é muito diferente da estrutura social que vivemos em 2016. A violência contra o povo negro é tão brutal que, mesmo depois de tanto tempo, o que a sociedade nos reserva são as mesmas migalhas de sempre. Diante de tanto racismo, o que nos resta são os caixões ou os presídios. Mesmo quando conseguimos sobreviver, nos reservam as ruas, os empregos terceirizados, os postos mais precarizados de trabalho, as piores escolas, a minoria de vagas nas universidades, a hipersexualização das mulheres negras e todas as mazelas que o racismo nos “proporciona”.

Seguem rifando nossos direitos. Quando cortam da educação, quando cortam da saúde, quando defendem a Redução da Maioridade Penal, a PEC 55 (do congelamento dos gastos), a Reforma do Ensino Médio, é o povo negro que mais sofre.

Mas, se a história do Brasil é a história de exploração do povo negro, a história da negritude é de luta e resistência. Podem querer nos empurrar pra senzala, mas somos filhos e filhas de Dandara e Zumbi. Herdeiros de Aquatune e Acotirene. Criados no Quilombo. Hoje, vivemos um novo momento de organização na negritude. Depois de tanto inferiorizarem e negarem a nossa cultura, nossa estética, o que vemos é uma explosão de negras e negros que passam a se identificar como pessoas negras. Estamos assumindo nossas cores, nossos cabelos, nossos traços, nossas culturas, nossos ancestrais, nossa história. E isso assusta muito quem sempre esteve acostumado a impor cultura.

Essa é a negritude que tem percebido a violência cotidiana que sofre e tudo que é negado. Principalmente a vida. Existe uma verdadeira guerra à negritude. Uma guerra que mata um jovem negro a cada 23 minutos. A guerra que matou DG, Amarildo, Antônio, que arrastou Claudia, que promoveu as chacinas em Osasco, Mogi, Belém e no Cabula. A guerra que matou os 7 jovens encontrados neste 20 de novembro na Cidade de Deus/RJ.A mesma guerra que tortura e mata negras e negros em todas as favelas e periferias desse país, financiada pelo Estado genocida, pelos governos racistas e pelo seu braço armado, a Polícia Militar.

Diante disso, a nossa saída é uma! Precisamos seguir na luta em defesa das vidas negras. É mais que tempo de ocuparmos cada rua, cada quebrada, cada favela contra o genocídio da população negra. Transformar cada escola, universidade, local de trabalho, cada bairro, um Quilombo. Intensificar e radicalizar, esta é nossa tarefa. Seguir o exemplo da negritude dos Estados Unidos, que não se exime de ir pras ruas cada vez que um jovem negro é assassinado pela polícia.

As vidas negras importam e não tem medo nenhum de ousar em defesa da própria vida! Vamos ocupar as ruas contra o racismo, o genocídio e, cada vez mais, por mais direitos!

“Dandara vive, Dandara viverá!

O povo preto nunca para de lutar!”

 

Erick Andrade é Diretor de Combate ao racismo pela Oposição de Esquerda na UNE, coordena também o Juntos! Negras e negros.

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017