Depois de dois anos com a Direita conservadora, o DCE PUC-Rio é conquistado pela oposição

Kellvin 25/nov/2016, 18h52

Conhecida nacionalmente como uma universidade que produz pensamento liberal, a PUC-Rio, no último dia 24, surpreendeu a todas e todos com o resultado das eleições para o Diretório Central dos Estudantes. A vitoriosa chapa Renova é constituída, basicamente, pelos coletivos da universidade e frentes independentes. Foi o suficiente para conquistar os 2325 votos, apenas 181 votos a mais do que a chapa MUDA, que tentava a sua terceira gestão. Depois de dois anos com uma gestão promovida pela Direita conservadora do PSDB, a oposição conquista o DCE da PUC-Rio.

O caminho percorrido pelo Renova foi conflituoso e resultado de um processo que iniciou em 2014, com o estabelecimento dos coletivos de identidade e classe da universidade. São coletivos anticapitalistas, interseccionais, panafricanistas e de esquerda, como o Coletivo Madame Satã, Coletivo Nuvem Negra, Coletivo de Mulheres, Coletivo Vila e o Coletivo Bastardos, que foram os precursores de um trabalho de base na instituição, que se apresentou em debates, intervenções, reformas curriculares, diálogo direto com a reitoria, com os trabalhadores(as) e, principalmente, uso e ocupação dos mais variados espaços da universidade.

No ano de 2016, quando a chapa derrotada se mostrou declarada contra pautas progressistas, iniciou-se uma articulação entre o corpo estudantil de Esquerda. Os movimentos sociais não foram surpreendidos quando silenciados no debate para vereadores do Rio de Janeiro, devido uso do DCE enquanto trampolim político para promoção da candidatura do ex-presidente da chapa derrotada, Pedro Duarte Jr. (PSDB-RJ). E, dentro de uma conjuntura política nacional de retrocessos nas questões sociais e de assistência, a luta por mais democracia, contra os retrocessos e pelo reconhecimento à diversidade resultou no Movimento Ocupa PUC-Rio, presente desde o dia 16 de novembro no Pilotis do Edifício Kennedy, local histórico na universidade.

A chapa Renova, como o nome propõe, visa promover, a partir de 2017, um projeto político antifascista e anticapitalista, renovando o cenário político da PUC-Rio. Isso será feito por meio do diálogo intenso com as frentes progressistas da universidade, visando atender às várias dimensões que constituem tal espaço universitário. Assim, um caminho de novas esperanças e conquistas se abre e, com isso, surgem novas necessidades. É momento de a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro se organizar e se apresentar ao país enquanto uma instituição plural e do povo. A chapa Renova derrubou o retrocesso do MUDA DCE. Agora o Movimento Ocupa PUC-Rio continua para derrubar a PEC 55.

 

Kellvin de Andrade é estudante de Geografia da PUC-Rio, membro do Juntos! e fundador do Coletivo Madame Satã.