A luta das mulheres vai mudar o mundo! Rumo ao Acampa Internacional das Juventudes

28/dez/2016, 11h35

Se em Junho de 2013 o levante juvenil abalou as estruturas do regime imposto, barrou o aumento da tarifa e iniciou um novo marco para a juventude, em 2015 a Primavera Feminista, que teve seu estouro contra o então Dep. Eduardo Cunha nos movimentos “Pílula Fica, Cunha Sai” e o notável protagonismo das secundaristas na luta contra a reorganização das escolas nacionalmente ainda colhe frutos e mostrou que veio para ficar!

Em 2016 a pauta feminista ganhou um novo patamar: foi além em suas reivindicações de cunho democrático e em defesa das liberdades individuais para colocar as questões econômicas e políticas no centro do debate feminista. A mobilização das mulheres ao redor do país foi a ponta da lança para a cassação do mandato de Cunha e sua posterior prisão pela Operação Lava Jato.

No ano que a Lei Maria da Penha completou dez anos, comemoramos a vitória que significa a existência da lei, mas ousamos em dizer que há muito para avançar dentro da pauta. Ainda há um grande número de mulheres que sofrem com violência doméstica diariamente no Brasil, havendo alarmantes casos de feminicídio – onde as mulheres trans enfrentam no Brasil a realidade de estarmos no país campeão de transfeminicídios no mundo. Precisamos fazer com que as políticas pensadas nesta Lei sejam aplicadas de fato e englobando todas as mulheres; lutar para que as Delegacias da Mulher funcionem 24h por dia, pela melhora de sua estrutura e ampliação das Casas Abrigo, a fim de assistir melhor às mulheres vítimas de violência. Por isso, aqui no Brasil nós do Juntas! também construímos a luta pelo fim da cultura do estupro, e contra os casos brutais de violência contra a mulher.

Mas essa luta não se restringiu apenas ao Brasil: na Argentina tivemos o grande levante pela vida das mulheres, alastrado pela América Latina enquanto bradava-se “Ni Una Menos”. No Peru a luta contra o feminicídio levou dezenas de mulheres às ruas vestidas de preto. Seguindo a luta nos outros continentes, na Polônia o projeto de lei que endurecia as leis sobre o aborto no país foi rejeitado após uma greve geral de mulheres que também foram às ruas de preto contra este projeto. Há também o grande exemplo das mulheres curdas que tomaram a frente na luta contra a opressão do Estado Islâmico, quebrando todos os conceitos construídos sobre elas no mundo todo. A luta das mulheres muda o mundo e é preciso afirmar toda a solidariedade as mulheres sírias! Basta de massacre em Allepo!

Apesar da breve retrospectiva, a luta feminista não para por aí: recentemente o STF julgou um caso de aborto e não considerou um crime a realização do mesmo até o terceiro mês de gestação, o que abre precedente para que demais juízes e juízas não condenem quem aborta até o 3º mês pelo país, o que faz com que o debate pela Legalização do aborto entre na ordem do dia – sendo essa uma pauta histórica da luta pela vida das mulheres!

Outra importante batalha que vem pela frente é a Reforma da Previdência, mais um dos desserviços de Temer para a “ponte do retrocesso”, pois ela atinge de forma específica as mulheres, principalmente as negras na medida em que já possuímos os trabalhos mais precarizados e maior instabilidade na manutenção do emprego; Muitas de nós sustentam toda família, tendo que cumprir duplas ou triplas jornadas de trabalho. Temos que barrar qualquer possibilidade de concretização dessa contrarreforma.

Reivindicamos e estamos ocupando o nosso espaço na política! Estamos nas ruas na luta contra o ajuste, contra a corrupção e por mais direitos; também estaremos nas Câmaras Municipais em 2017 após os números explosivos de votos obtidos por mulheres nessas eleições. Sâmia Bomfim, uma das fundadoras do Juntas!, foi eleita como vereadora na cidade de São Paulo e agora lança sua candidatura à presidência da câmara. Também não podemos deixar de destacar o papel que tantas candidaturas de mulheres negras e trans cumpriram nessas eleições, dando visibilidade para uma série de demandas específicas que muitas vezes são invisibilizadas e secundarizadas.

No ano de 2017 teremos, no Rio de Janeiro, o Acampamento Internacional de Juventudes em Luta. Esse será um espaço de encontro para que possamos debater e formular nossa política e atuação para o próximo ano. Nós do Juntas! temos a grande tarefa de avançar e continuar a construção da luta pela legalização do aborto e contra a reforma da previdência e o machismo. Por isso nosso encontro já tem data marcada: de 13 a 16 de Abril estaremos ocupando terras cariocas. É tempo de tomarmos o futuro em nossas mãos e não podemos nos calar diante do machismo!

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017