MOBILIZAR CONTRA O AJUSTE, CONTRA O TEMER E A CORRUPÇÃO

Sâmia Bomfim 03/dez/2016, 14h14

Dia desses, organizando a campanha pela legalização do aborto, fui questionada: uma vereadora defendendo a legalização do aborto? Sim, uma vereadora defendendo a legalização do aborto. Pois, além de vereadora eleita, eu sou uma cidadã e terei sempre posições políticas definidas sobre os problemas do país.
Nesse texto, quero expor rapidamente minhas opiniões sobre a atual conjuntura brasileira, sobre a luta que considero mais importante hoje em nível nacional e que teve uma demonstração de força na manifestação da juventude no dia 29/11 em Brasília: o combate ao ajuste fiscal, ao governo Temer e à corrupção praticada por qualquer político ou partido do sistema.
O Brasil está numa terrível crise econômica, que tem levado ao desemprego milhões de pessoas. É impressionante a capacidade dos políticos tradicionais de ignorar o sofrimento da população — ou, antes, de atuar para ampliar esse sofrimento. Nesta semana, mesmo diante da comoção nacional com a tragédia envolvendo a equipe da Chapecoense, os políticos de Brasília levaram adiante pautas terríveis: por um lado, a votação da PEC 55 no Senado, a “PEC do fim do mundo”, que congela os investimentos em saúde e educação por 20 anos. Por outro, a tentativa de desmontar, na Câmara, as medidas anticorrupção propostas pelo MP. A resistência se deu nas ruas, numa manifestação duramente reprimida pela PM, e também na atuação da pequena mas combativa bancada do PSOL, que teve excelentes posicionamentos.
Acredito que todos os setores progressistas precisam lutar fortemente contra o ajuste e contra a corrupção, que são duas faces da mesma moeda. Precisamos ampliar a denúncia de que a mesma casta política que governa o país atolada na corrupção é aquela que, para tentar se sustentar no poder, propõe medidas de ajustes para “acalmar os mercados”. As demonstrações disso são as mais torpes, como se viu no escândalo recente envolvendo Geddel Vieira Lima, ou na prisão do ex-governador do RJ, Sérgio Cabral, que veio à tona justamente quando o atual governador, Pezão, propunha um pacote de ajustes na Assembleia Legislativa, enfrentando uma resistência radical do funcionalismo público.
Se analisarmos, São Paulo também tem um extenso histórico de casos de corrupção envolvendo grandes políticos e empresários. Em âmbito estadual, podemos lembrar do “trensalão” do PSDB e do escândalo recente do roubo nas merendas — episódios sempre denunciados por Giannazi e Raul Marcelo, do PSOL, na ALESP. Ao que tudo indica, Alckmin será citado na delação da Odebrecht, e ainda com o curioso apelido de “Santo”. No município, algumas gestões entraram para história como absurdamente corruptas, como a de Maluf e Pitta, além de, mais recentemente, Kassab. De forma geral, as constantes relações, em qualquer gestão, entre prefeitura e máfias (dos transportes, das merendas, das OSs, etc.), indica que a pilhagem de recursos públicos para interesses privados, ou seja, a corrupção, acontece também localmente.
Para mim, a corrupção é intrínseca ao sistema capitalista e à forma de governar da velha casta política. Portanto, é nossa obrigação combatê-la ao lado do combate ao ajuste fiscal e às injustiças sociais. A melhor forma de derrotar os políticos que atacam os nossos direitos é expondo cruamente o que eles são. Conseguimos isso com Eduardo Cunha. E quero que o mesmo aconteça com Renan Calheiros, agora réu no STF, e com quaisquer políticos que estejam envolvidos nos escândalos. Aliás, o PSOL desde sempre deu exemplo, denunciando o Mensalão, fazendo campanhas pelo Fora Renan, pelo Fora Sarney, entre outras.
As revelações da operação Lava Jato, principalmente com a delação da Odebrecht, devem atingir quase todos os partidos políticos do sistema, como PSDB, PMDB, PT, PP e outros. Precisamos exigir que elas sejam levadas até o fim, sem seletividade, doendo a quem doer. Isso significa, concretamente, denunciar e lutar contra manobras como a emenda que pretendia limitar o poder dos juízes e procuradores. Ou como a proposta de anistia ao Caixa 2 que de tão vergonhosa teve que contar com um acordão entre os principais partidos para não ter votação nominal. Felizmente o PSOL foi exemplar em mobilizar e impedir a progressão desses absurdos que tinham como principal objetivo acabar com a Lava Jato. Não podemos compactuar com os acordões que estão sendo propostos por aqueles que sentem a corda no pescoço, como Renan Calheiros, Gilmar Mendes e outros. Nesse sentido, indico o excelente vídeo gravado pelo querido deputado federal Chico Alencar: https://www.facebook.com/chicoalencar/videos/964903440278574/?pnref=story e o ótimo texto da minha companheira e ex-candidata a Presidenta pelo PSOL Luciana Genro: https://lucianagenro.com.br/2016/12/combater-a-casta-politica-para-derrotar-a-corrupcao-e-o-ajuste/
A medida mais urgente para que o Brasil possa voltar a ser um país decente para o nosso povo é pôr para fora, e já, o governo do Michel Temer. E para isso vamos enfrentar corajosamente os dois pilares de sua gestão: o ajuste e a corrupção. Mais do que nunca, FORA TEMER!


Assinado: Sâmia Bomfim, do Juntas e vereadora eleita pelo PSOL São Paulo

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