RIO DE RESISTÊNCIA

Theo Louzada Lobato 05/dez/2016, 09h33

Nessa segunda-feira a população fluminense acordou com mais uma desagradável surpresa: a suspensão do Bilhete Único Intermunicipal e de seus respectivos descontos nas tarifas. Essa medida, tomada pela máfia das empresas de transporte após o não repasse de verba do Governo estadual, é mais um ponto auge na talvez maior crise já vivida pelo do Estado Rio de Janeiro – que se encontra, atualmente, como o maior dos prejudicados pela situação econômica e política nacional.

Os sinais de quem seriam os principais afetados pelo momento que vivemos no Brasil e no estado já estavam claros há muito tempo: as ocupações de escola e das universidades estaduais no final do ano passado e no começo desse ano como uma resposta ao projeto de precarização e de não priorização do setor público e das áreas sociais serviram tanto como uma forma de escancarar para a população a quem serve esse governo quanto para mostrar que a luta atualmente é o único caminho viável. Sem essas mobilizações seria impossível para os estudantes conseguirem arrancar as vitórias que arrancaram, como no caso das eleições diretas para direções e investimentos emergenciais nas escolas.

Há muito se sabia quais eram as pretensões de Pezão e da casta política da ALERJ e do Palácio Guanabara. Enquanto isenções fiscais bilionárias continuavam a ser negociadas durante um período em que o discurso da falta de verba já estava em alta, foi necessária uma das maiores lutas políticas protagonizadas pela juventude das escolas para que os estudantes pudessem ser ouvidos. A perspectiva de mudança real dos planos do Governo, porém, ainda estavam muito distantes.

Com o decreto de calamidade pública e, posteriormente, a intensificação da crise econômica, o Estado do Rio de Janeiro chegou em um momento ainda mais difícil para sua população. O “Pacote de Maldades” do Pezão, que entre suas medidas pretende reter 30% dos salários dos servidores públicos, aposentados e pensionistas por 16 meses se soma a uma crise generalizada na educação estadual, com destaque especial para toda a Rede FAETEC de escolas técnicas – que tem funcionado apenas meio período sem boa parte da sua estrutura e sem perspectivas de normalização – e da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), que está com seus funcionários e bolsistas sem receber e com sua secretaria já recomendando seus professores a não cobrarem chamada, entendendo a inviabilidade da maioria dos alunos de frequentarem as aulas.

Agora, com mais um ajuste posto pela já espúria relação entre os empresários de ônibus e o Estado, fica ainda mais claro o dilema que estamos vivendo: ou não deixamos o plano de Pezão governar, ou ele não nos deixará viver. O exemplo dado pelo setor da segurança pública, que, mesmo tendo pouquíssima tradição de mobilização, fez atos históricos, chegando a ocupar a Assembleia Legislativa contra as medidas do PMDB, é essencial para nos fortalecermos. Assim, como os atos contra o fim da Rede FAETEC e as ocupações de cotistas dos campi da UERJ, temos que buscar a maior unidade possível entre trabalhadores e estudantes contra esse governo que em nada nos representa e que de nada faz para solucionar de fato essa crise.

Não será por meio de cortes nos salários e nos investimentos sociais que vamos contornar o estado de calamidade que vivemos. A crise estadual e nacional só pode ser resolvida se rompendo com os aqueles esquemas que também foram responsáveis por sua existência. O fim das isenções fiscais para as empresas multimilionárias, a revisão de como se dará o pagamento da dívida estadual e principalmente, a investigação clara contra os corruptos e corruptores, como o caso dos já presos ex-governadores Anthony Garotinho e Sérgio Cabral e de empresários como Marcelo Odebrecht, deve ser o caminho a ser seguido. Mas temos a completa certeza que para isso seja possível só existe um caminho: a rua, a luta e a resistência.

 

Theo Lobato é do Juntos! Rio de Janeiro.

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Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017