Em defesa do grafite e do pixo: os muros da cidade gritam resistência!

16/jan/2017, 21h15

Por Felipe Simoni e Fabio Silva*

João Dória, o novo prefeito milionário de São Paulo, começou sua gestão apresentando o projeto “Cidade Linda”, que segundo ele revitalizará o centro expandido da cidade para que ele fique mais bonito. Logo no início do programa, Dória já mostrou para o que ele realmente serve: demagogia, higienismo e elitismo.

Depois de se vestir com seu uniforme personalizado de gari, “varrer” por 10 segundos uma calçada e esconder pessoas em situação de rua em quadras cercadas com telas, Dória apareceu vestido com o uniforme laranja dos operadores de motocompressor para anunciar que o ataque agora seria contra os artistas da cidade.

Dória anunciou que irá apagar todos os grafites e pixações dos “Arcos do Jânio”, que fará como em Miami, que tem um bairro delimitado para o grafite em toda a cidade, e que não tolerará o que chamou de “vandalismo”. Com o motocompressor pintou de cinza uma pixação que coloria um muro da avenida 23 de maio.

Desconsiderando totalmente a importância histórica e cultural que tem o grafite e o pixo como forma artística e de protesto da periferia de São Paulo, Dória apaga com algumas borrifadas uma trajetória de luta e resistência daqueles que utilizam a arte como forma de expressão.

A tática de deslegitimar e esconder a arte urbana significa esconder as denúncias de desigualdade social, de racismo e abandono da periferia, presente nos grafites e pixos, dos olhos dos seus amigos investidores e daqueles para quem Dória quer mostrar uma cidade cinza, uniforme e elitizada.

Além disso, as recentes movimentações da prefeitura sobre a transferência dos equipamentos culturais para a gestão da iniciativa privada demonstram claro interesse de colocar as políticas culturais na mesma lógica que a galeria de arte de sua esposa, no Jardim Europa: quem possuir dinheiro possui acesso à arte.

O prefeito, que finge ser um trabalhador, vira as costas para a periferia da cidade e investe o dinheiro público para apagar a arte dos que vem de lá, com a justificativa de construir um centro mais “bonito” para os mais ricos verem. Mas a cultura e a arte do gueto e dos pretos vai resistir aos ataques do prefeito milionário.

O Juntos! está do lado e em defesa dos artistas que levam cultura e luta para as paredes de São Paulo. Os muros dessa cidade gritam resistência!

*Felipe Simoni e Fabio Silva são do Juntos! em São Paulo.