Na Bahia, quilombo Rio dos Macacos grita por socorro

14/jan/2017, 22h15

Por Iago Gomes, militante do Juntos BA

Ao conhecermos a história de luta da negritude no Brasil é impossível não nos depararmos com os quilombos que surgiram ao logo dos séculos de escravidão e pós-escravidão e representam toda a identidade e diversidade das muitas e muitos que ainda têm sua história construída pela resistência cotidiana.

Um dos mais famosos quilombos é o dos Palmares, que ficava situado no Nordeste e é muito conhecido pelo símbolo que foram Zumbi e Dandara.

Atualmente, no Brasil, se tem dados de aproximadamente 5.000 comunidades quilombolas e boa parte destas estão em confronto direto com grandes proprietários de terra e com o próprio Estado que não demarca as regiões, não dá direitos básicos de manutenção e sobrevivência e ainda usa de seus aparatos para destruir o pouco que resta.

Na Bahia, o Quilombo Rio dos Macacos, situado em Simões Filho (cidade que faz divisa com Salvador), corre sérios riscos. Um ano atrás, após muita luta na justiça, cerca de 85 famílias que moram ali conseguiram o direito por 104,8 hectares de terra, sendo que os outros 196,2 ficaram sob a responsabilidade da Marinha, que disputa o direito por aquela região. Além de aguardar a titulação da posse, os quilombolas vivem em péssimas condições: sem água encanada, sem energia elétrica, sem rede de esgoto, em casas em péssimo estado, ou seja, sem nenhuma assistência do Estado. Para piorar a situação, a Marinha resolveu construir um muro isolando a sua área, onde está situado o rio dos Macacos, de onde a comunidade retira água para sua sobrevivência.

Esse exemplo é um dos muitos que caracteriza o racismo ambiental, tipo que se relaciona diretamente com a exploração de terra e de pessoas que fazem parte de grupos étnicos e/ou racialmente excluídas e que estão em desvantagens sócioeconômicas e políticas, a exemplo de indígenas e quilombolas.

Nos últimos anos, o Governo Federal deixou a demarcação de terras quilombolas de lado, não atendendo as pautas históricas dos movimentos sociais. É preciso realizar a regularização fundiária urgentemente, levando água e assistência ao povo que mora ali e não permitir que os militares retirem o direito por sobrevivência dos moradores do Quilombo Rio dos Macacos! O Estado tem a obrigação de defender o povo quilombola da Bahia e não permitir que sejam mortos pela máquina que trata a carne negra de forma tão barata.

É preciso avançarmos muito na defesa do povo quilombola! Faz parte da luta contra o genocídio do povo preto, do combate ao racismo e da defesa de nossa identidade.

Aprendemos com a história a resistir e ensinaremos ao presente que só a resistência muda a história.

Vamos ocupar tudo contra o racismo e pelas vidas do povo preto!

 

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017