Somos LGBTs e queremos viver

18/jan/2017, 15h03

Texto por Juntos! LGBT

 

Matheus Camilo, presente.

Itaberli Lozano, presente.

Luiz Carlos Ruas, presente.

Na última semana, o assassinato de Itarberli Lozano, um menino de apenas 17 anos, chocou o Brasil. Vítima de homofobia, Itaberli foi barbaramente espancado, morto a facadas e depois incinerado pela própria mãe. Em dezembro de 2016, na madrugada do dia 25, vivenciamos a morte do ambulante Luiz Carlos Ruas, o Índio, assassinado a socos e pontapés por dois homens na estação Pedro II, em São Paulo, após defender duas travestis.

Somando-se ao cotidiano de violência, ontem recebemos a notícia da morte de Matheus Camilo, militante da UJS em Caxias do Sul (RS). Matheus era ativista do movimento LGBT e foi também vítima de homofobia. Mais uma vida interrompida.

O Brasil, vergonhosamente, é recordista mundial no assassinato de LGBTs no mundo: a cada 26h um LGBT é morto por sua orientação sexual ou identidade de gênero. Tratando-se da população de travestis e transexuais, a realidade é ainda mais chocante: sua expectativa de vida não ultrapassa os 35 anos – menos da metade da expectativa da população brasileira em geral. Segundo a Transgender Europe, o Brasil concentra 40% dos assassinados transfóbicos em todo o mundo. E quais são as políticas públicas voltadas ao combate à violência contra pessoas LGBT? O que é feito para evitar tantas mortes?

Em 2016, houve eleições municipais e foram pouquíssimos os candidatos assumidamente LGBT que foram eleitos para os parlamentos. No Congresso Nacional, apenas Jean Wyllys (PSOL-RJ), dentre 513 é assumidamente gay e sofre restaurações constantes por corajosamente se manter combativo na defesa da democracia e dos direitos humanos.

Com o governo ilegítimo de Temer o cenário só tende a piorar. Se antes já não se pensava ou executava na pauta LGBT, os cortes de direitos básicos afastam ainda mais essa população – já cerceada de acesso – da conquista de sua dignidade. Mas há resistência e ela é rebelde e cheia de esperança. Nas milhares de ocupações que aconteceram no ano passado nas escolas e universidades a juventude vem se organizando para não aceitar nenhum direito a menos. Uma juventude que não tem mais vergonha de ser quem é, pelo contrário, tem orgulho. E é essa juventude que devemos mirar no horizonte exemplo de sonhos e lutas que vão enfrentar o conservadorismo.

A luta de Matheus não foi em vão. Ela permanece ativa e a realizaremos todas/os juntas/os!

Toda solidariedade à militância da UJS. Estamos lado a lado na luta contra a LGBTfobia!