PORTO ALEGRE: A luta pelo transporte 100% público e o direito à cidade

09/fev/2017, 12h34

Gabriel Costa de Bem é militante do Juntos! em Porto Alegre

 

O mandato do prefeito eleito Nelson Marchezan Jr. (PSDB) apenas começou e já mostrou a que(m) veio. Reproduzindo a mesma política neoliberal do ilegítimo Temer e do governador Sartori, Marchezan já ameaçou parcelar o salário do funcionalismo público, atrasou o salário dos garis, que paralisaram suas atividades nessa quarta-feira (8), e segue ativo com sua política de privatizações (em especial a do mercado público). Uma série de lutas estão em exponencial crescimento no seio da cidade pela necessidade de organizar uma forte resistência para, de fato, enfrentar o desmanche dos serviços públicos.

Nesse cenário, foi anunciado pela imprensa gaúcha que a prefeitura municipal de Porto Alegre começou as tratativas com sua maior parceira, a Associação dos Transportadores de Passageiros (ATP), sobre um possível aumento na tarifa de ônibus na capital. Para o órgão ligado à prefeitura, a EPTC, a tarifa deveria ficar entre R$ 3,95 e R$ 4,05. A ATP, em contrapartida, acha que o aumento proposto pela prefeitura ainda não seria o suficiente para inflar ainda mais a margem de lucros dos empresários que comandam o transporte público na cidade e pretende fixar o valor em R$ 4,30. Não há justificativa para mais um aumento: nem a promessa de mais ônibus, tampouco a da inclusão do ar condicionado – que já havia sido prometido pela última prefeitura. Um aumento na tarifa tão absurdo desses perpetua uma lógica brutal de escolher quem pode (ou não) ter acesso às praças, aos parques públicos, às ruas, aos eventos abertos da capital, ou seja, significa privar uma parcela da população de ter direito à cidade.

Quem usa o transporte público em Porto Alegre sabe que a tarifa, já abusiva, não é condizente com a péssima qualidade dos serviços prestados pelos empresários e pela própria prefeitura e, legitimamente, está indignado com a possibilidade desse preço ainda ser reajustado em 55 centavos, passando para absurdos R$ 4,30. Além do aumento, o prefeito já sinalizou o seu descontentamento com a segunda passagem inclusa, direito histórico da classe trabalhadora e dos estudantes, e a absurda demissão em massa dos cobradores de ônibus – pauta esta que tem gerado indignação dos rodoviários.

Marchezan, que foi eleito com um discurso em prol de mais transparência, se recusa a fazer uma auditoria das contas das empresas de ônibus, ou seja, mostrar para a população a tabela de preços das tarifas que a ATP continua tentando esconder. Para garantir o lucro daqueles que financiam suas campanhas, o “prefeito-gestor” vira as costas para a população, principalmente para as classes mais baixas, e tenta impor mais um aumento na tarifa de maneira autoritária, sem absolutamente nenhum diálogo e, muito menos, perspectiva de melhora nos serviços.

Sendo assim, é necessário que tenhamos organização e unidade na luta para enfrentar tais medidas que afetam diretamente a vida da classe trabalhadora, que vão desde os parcelamentos de salários do funcionalismo público até a completa privatização da Carris. Devemos ter a consciência de que a nossa única saída para que o enfrentamento real seja feito é a mobilização popular, lutando por um transporte 100% público, de qualidade e gratuito!