Rio de Resistência: Contra Picciani, Pezão e a privatização

02/fev/2017, 12h24

Por Juntos! RJ

Aqueles que passavam pelo Centro no começo da tarde de ontem se depararam com um quadro surpreendente – a região se tornou um verdadeiro campo de batalha. Da ALERJ a Rio Branco, a tropa de choque avançou contra a população que se concentrava em frente a Assembleia Legislativa do Rio. Em meio a bombas, gás lacrimogênio e balas de borracha, os servidores estaduais mostraram, de forma exemplar, a sua resistência. O ato dessa quarta-feira, o primeiro de 2017, marca uma luta que se arrasta desde o ano passado contra o Pacote de Maldades – corte de direitos – do Pezão, que tem se transformado, cada vez mais, em uma batalha de oposição geral ao seu governo e suas medidas de ajuste em todos setores públicos e sociais.

O Rio de Janeiro vive um verdadeiro estado de calamidade. Há o risco de fechamento de importantes instituições de ensino, como a UERJ, UEZO e UENF. Soma-se a isso a falta de pagamento de salários e do décimo terceiro, falta de repasse aos hospitais estaduais e fechamento de leitos, e, agora, a proposta de privatização de empresas públicas responsáveis por funções essenciais, como é o caso da CEDAE, distribuidora central de água no Estado.

A primeira sessão do ano da Assembleia Legislativa do Rio votou a releição do presidente da casa Jorge Picciani (PMDB), um dos principais alvos dos manifestantes. Ele foi reconduzido ao posto por um bloco composto pelo próprio PMDB, a direita tradicional e o lamentável apoio de PT e PC do B. Por outro lado, a votação do pacote de ajustes do Pezão foi adiada para terça-feira que vem por conta da pressão feita durante a manifestação.

O ato, puxado pelo MUSPE com protagonismo dos bombeiros, policiais civis, agentes penitenciários, profissionais da UERJ, CEDAE e Judiciario, ganhou proporções gigantescas, e mostrou a amplitude e o peso da luta dos trabalhadores fluminenses.

A cada bomba, a repressão do Estado mostrava a verdadeira identidade do governador Pezão e a sua disposição de aplicar o golpe no povo de qualquer maneira. Em um cenario caótico, com vaias à atuação da polícia e pedidos de impeachment do governador, a população resistiu a uma força que avançava, literalmente, contra o povo.

Fica evidente, portanto, que o Rio de Janeiro tornou-se um laboratório para o projeto do PMDB nacional: a partir da precarização dos serviços públicos, fechamento das escolas e universidades e corte dos direitos dos trabalhadores, a gestão do governo estadual é observada de perto por Temer, que certamente tem os mesmos interesses, aliados e compromissos que a alta cúpula da ALERJ. Ao mesmo tempo, a luta que está sendo travada pelos servidores tem que servir de exemplo para todos nós – o ajuste que já chegou em quase todos setores do pais não consegue avançar como poderia exclusivamente pela bravura desses trabalhadores. Que sua resistência sirva para continuarmos nossa luta e nos fortalecermos em todo Brasil. Deixemos claro que nem Pezão, nem Picciani, nem Temer terão uma vida fácil: no final, não seremos nós os obrigados a recuar.