Como se posicionar nessa consulta para a reitoria da Unicamp

14/mar/2017, 18h14

Gustavo Andrade é estudante de Midialogia na Unicamp e Eliaris Alvares é estudante de História da Unicamp. 

Estamos vivendo um momento de agudização da crise econômica e política pela qual nosso país vem passando. É patente a estratégia de Temer e dos poderosos para “remediar” a crise: cortar dos direitos sociais e trabalhistas e precarizar os serviços públicos. Nas estaduais paulistas, sentimos essa crise de forma particular: está colocada uma nova investida na tentativa de privatização das universidades, projeto que tem na USP a sua expressão mais avançada. O caminho apontado por Zago, que se utiliza da repressão policial para impor seu ajuste, é a contratação uma empresa de consultoria, a McKinsey, para facilitar a entrada da iniciativa privada na universidade, como contrapartida ao congelamento nas contratações de funcionários e professores, arrocho salarial, e fechamento de serviços essenciais à comunidade universitária, como a creche. Este projeto não mexe nos privilégios dos dirigentes da universidade e precariza a qualidade de ensino e a permanência estudantil.

Na Unicamp, assim como no restante das estaduais, a escolha de quem ocupa a cadeira da reitoria é feita através de uma consulta que gera uma lista tríplice. Falta democracia: os mecanismos internos desta consulta são desiguais, uma vez que os votos dos docentes correspondem a 70% do resultado final, enquanto os de funcionários e estudantes representam somente 15% cada. Além disso, a escolha final cabe ao governador Alckmin. Desta forma, entendemos que quaisquer avanços políticos concretos têm que obrigatoriamente passar pela democratização da estrutura de poder da universidade. Ainda assim, a consulta segue sendo um momento importante de discussão política sobre os projetos para a universidade.

Nessas eleições, tem-se configurado uma polarização entre as candidaturas de Marcelo Knobel e Rachel Meneguello. Dentre elas, o programa de Knobel é o que apresenta maior susceptibilidade às pressões da iniciativa privada que, a partir do discurso de uma gestão mais eficiente, se utiliza da estrutura da universidade em função de seus interesses particulares. Num momento em que é necessária a tomada de decisões importantes, não demonstra comprometimento com a participação da comunidade nelas, e, em seu discurso, não faz qualquer debate sobre o direito de mobilização, tema tão caro aos estudantes que travam a luta pela democratização da universidade através das cotas.

Rachel Meneguello, por sua vez, apresenta um programa de continuidade ao de Tadeu, que não avançou na melhoria das condições de trabalho dos funcionários e professores, tampouco na infraestrutura dos institutos e na permanência estudantil; e também não demonstrou avanço na democratização das decisões, descumprindo importantes compromissos de sua campanha. Embora a candidata tenha propostas progressistas em determinadas pautas, não aponta caminhos concretos para concretizá-las, submetendo-as à estrutura antidemocrática e conservadora da universidade.

Diante desse cenário, repudiamos a candidatura de Knobel porque representa uma possibilidade de retrocesso na universidade, colocando em risco seu caráter público e a autoorganização dos movimentos sociais. Por outro lado, reconhecendo as insuficiências em pontos importantes do programa de Rachel Meneguello e a falta de estratégias claras para os avanços propostos por ela, entendemos os que optam pelo voto crítico, mas não indicamos voto em sua candidatura.

Por fim, precisamos ressaltar que os avanços dentro e fora da universidade somente serão conquistados através da mobilização. Neste sentido, é fundamental a luta nacional que será travada no dia 15 de Março contra a proposta de Reforma da Previdência apresentada por Temer; junta-se a ela a resistência ao avanço da privatização nas estaduais paulistas combinada à organização de uma grande campanha por cotas como estratégia para a democratização real da universidade pública.

Vem aí...

Acampamento Internacional das Juventudes em Luta: Rio de Janeiro, abril de 2017