Maria Eduarda: presente!

31/mar/2017, 14h05

Por Juntos! RJ 

Mataram uma estudante, poderia ser sua filha!

Na semana em que relembramos a morte de Edson Luís, secundarista assassinado pela PM no Centro do Rio de Janeiro no auge da ditadura militar. Na cidade da guerra às drogas, da polícia que mais mata morre, mais uma mãe chora, mais uma criança precisa deixar de sonhar, pois não há mais tempo, lhe tiraram a vida.

Maria Eduarda Alves da Conceição, negra, 13 anos de idade, morta ao ser atingida durante aula educação física, quando policiais e traficantes decidiram trocar tiros ao lado de uma escola. Maria Eduarda, uma jovem que sonhava, agora vira estatística. De onde veio o tiro? Do fuzil da PM ou do traficante? Esse tiro veio do fuzil do Estado, afinal é ele quem alimenta essa guerra. É ele quem sucateia e transforma a educação em luxo, quem foge da responsabilidade do controle das drogas, quem coloca uma maioria de pretos fardados para caçar pretos e pobres nas favelas.

Quem matou Maria Eduarda foi o Estado, foi o governador Pezão, foi Dornelles, foi Cabral, foi Garotinho e tantos outros que estão ou passaram pela administração do estado do Rio de janeiro.

O Estado não investe em saúde, não investe em emprego, não investe em educação, mas investe em armas de fogo. E qual é o objetivo de um Estado que investe mais no que produz morte do que no futuro de crianças como Maria Eduarda?

No mesmo local em que Maria Eduarda teve a vida roubada, outras duas pessoas também morreram. Estes faziam parte de outra estatística, a dos jovens que entram para a criminalidade. Terminaram mortos pela polícia, a queima-roupa, enquanto estavam desarmados, feridos e caídos no chão. Será que alguém que tem a frieza de atirar em quem quer que seja, só pelo prazer de matar, tem condições de dar segurança para alguém? Cremos que não.

A polícia Militar do Rio de Janeiro, além de ser uma instituição falida, é totalmente entregue a corrupção. É o braço armado do Estado, utilizado para oprimir quem luta por direitos. É a polícia que mais mata e morre, onde os cargos de menor patente são ocupados por uma maioria de pretos, que são jogados sem o mínimo de preparo, para morrerem nessa guerra que o próprio Estado gera.

Enquanto houver a criminalização das drogas, e o Estado seguir se recusando a cumprir com seu dever, não assumindo o controle sobre estas, seguiremos perdendo jovens para o tráfico, policiais seguiram morrendo e psicologicamente treinados para matar, e choraremos por mais Marias Eduardas.

Há uma falácia de que nesta “guerra do crime”, só morre quem quer, que os cidadãos de bem ficam intactos. Mas para ser “cidadão de bem” você não pode ser preto e muito menos morar numa favela, mesmo que esteja dentro da sua escola.

Logo após a confirmação da morte de Maria Eduarda, os moradores da Pavuna, iniciaram um grande protesto na Avenida Brasil, que terminou com bomba de gás e mais repressão da Polícia Militar.

Queremos justiça para Maria Eduarda, mas sobretudo queremos que nenhuma Maria Eduarda a mais seja vítima desta polícia genocida e racista dentro das periferias do Rio de Janeiro, queremos o final dessa guerra maldita. A juventude quer viver!