Negritude da Terra da Luz existe e resiste

25/mar/2017, 22h03

A data magna 25 de março, marco do pioneirismo cearense na abolição da escravidão, é um chamado para que a “terra da luz” não deixe apagar a chama que levou tantos Dragões de nossos mares a se organizar, lutar e a resistir a exploração branca e europeia, que visivelmente legitimadas no passado, ainda permanece através da falta de ações reparatórias contundentes para a população preta e das manifestações de racismo que nosso povo vivencia cotidianamente em vários espaços na sociedade atual.

Por muito tempo a história do Ceará deixou entrever o mito de que o nosso território não havia escravidão. Diante destes discursos, visualizamos o quão importante é esta data para a luta da negritude cearense, de modo a descontruirmos a dita cordialidade branca que toma de assalto há séculos nosso protagonismo e nossas memórias. Estas ideias estão presentes hoje quando o jovem negro morre na favela e é taxado de “meliante” ou “vagabundo”, estas ideias estão presentes hoje quando o corpo da mulher negra continua sendo objetificado dando margem ao aumento do feminicídio preto. Estas ideias estão presentes hoje, quando não temos representação no governo, em sindicatos, em universidades. Estas ideias estão presentes hoje quando Temer nos ataca cotidianamente com politicas públicas antipopulares e que só tem o único propósito de aumentar a desigualdade econômica-racial já existente. Por tudo isso já passamos e já estamos fartos!

É contra estas medidas que nossa geração preta quer ter voz e espaço! Vamos continuar reafirmando nossa história, vamos falar junto a José do Patrocínio e desenhar uma história da “Terra da Luz” preta! Vamos lutar como e por Dragão do Mar contra o conservadorismo, pois a luta anticapitalista é indissociável da luta antirracial.

Pelas nossas vidas pretas e por nenhum direito a menos, seguimos lutando!

 

Giselle Marçal é professora de história em Acaraú/CE e militante do Juntos Negras e Negros