Construir a greve geral!

24/abr/2017, 13h42

Por GUILHERME FREGONESE e CAMILA BARBOSA

O presidente ilegítimo, articulado com um congresso desmoralizado pela corrupção e incapacidade de se ligar com o povo, vem apresentando medidas que vão em direção a retirada de direitos dos trabalhadores e da juventude. A PEC 55, a reforma trabalhista, política e da previdência são exemplos de como o (des)governo de Temer avança em seu pacote de retrocessos sociais. Por outro lado, a indignação tem se generalizado na população brasileira e, como forma de luta e resistência, se coloca em curso a construção de uma greve geral no país para dia 28 de abril, algo que não é realizado no Brasil desde 1989.

A concretização de uma greve, ainda mais uma greve geral, é a expressão mais forte da luta da classe trabalhadora em defesa dos seus direitos. A greve é um instrumento de luta em que a produção é paralisada, provocando perda de lucro por parte da elite econômica. Desse modo, então, é criado um obstáculo para a roda do capitalismo, que gira em toda sua velocidade, cada vez mais frenética.

A greve não se trata, no entanto, do único instrumento dos trabalhadores; manifestações de rua, trancamentos e debates públicos também são métodos que podem, inclusive, se combinar com o primeiro. Porém, vale ressaltar que quando falamos em greve geral, discutimos a paralisação não só de uma fábrica ou outro local de trabalho isoladamente por suas questões específicas, mas sim a totalidade dos trabalhadores conjuntamente defendendo uma causa. Ela significa um abalo na produção capitalista de lucro e mercadoria, que gera uma pressão social sobre a elite política e econômica que nenhuma outra forma tem capacidade.

Greve Geral de 1917 em São Paulo

No Brasil, a primeira greve geral foi realizada há exatos 100 anos. Os operários de São Paulo paralisaram por mais de um mês. Entre as suas reivindicações, estavam desde medidas básicas como o fim da exploração do trabalho de menores de 14 anos, até o aumento de 35% nos salários mais baixos e 25% para os mais elevados. A greve saiu vitoriosa, com a conquista do aumento salarial e discussões em relação as demais pautas. Contudo, o seu maior saldo foi colocar o movimento operário como uma realidade no Brasil. Após esse momento, a luta dos trabalhadores se tornou algo mais constante e que, entre baixas e altas, se fortaleceu no Brasil ao longo do tempo. Nesse sentido, a greve geral que está em curso para o dia 28 de abril tem a chance de fazer a luta dos trabalhadores polarizar o cenário político nacional e trazer ganhos objetivos para a classe.

Juntos no 15-M no Rio de Janeiro

No último dia 15 de março, diversas categorias paralisaram, incluindo setores determinantes para a circulação de mercadoria e força de trabalho (como o transporte, por exemplo), resultando manifestações fortíssimas em todo país, com o ponto alto na Avenida Paulista, onde cerca de 200 mil pessoas se reuniram. Foi um primeiro teste, um ensaio para a greve geral em Abril. Agora, a possibilidade que, de fato, o Brasil pare por completo no dia 28, é real. Por isso, é responsabilidade de todos aqueles que querem lutar contra as reformas de Temer se jogar para esse dia, seja paralisando o seu local de trabalho, seja construindo comitês de articulação ou participando de atos e trancaços; enfim, de todas formas possíveis!

Para que a greve geral exploda, é importante ter um olhar atencioso para a juventude. Essa, de maneira geral, encontra-se nos piores empregos, com maior rotatividade e menos organização sindical. É também em resposta a isso que os jovens tem se postulado como forte pólo de resistência, vide Junho de 2013, ocupações de escolas e universidades, primavera das mulheres e outros. Assim, é fundamental que o espírito dessas mobilizações esteja presente no próximo dia 28, forjando um perfil de radicalização, através de piquetes, trancamentos de ruas, avenidas e manifestações dinâmicas, com o apoio e participação ativa da juventude.

Uma greve geral, que traz a força da classe trabalhadora organizada, somada ao espírito dos movimentos de juventude, é a única combinação capaz de enfrentar os duros tempos em que vivemos. Seguiremos, em unidade, na luta por um novo futuro. O amanhã será maior!

GUILHERME FREGONESE é diretor do DCE-Livre da USP.
CAMILA BARBOSA é coordenadora do Centro Acadêmico de Pedagogia Paulo Freire da UFRN.