Nota sobre a situação do Paraguai

02/abr/2017, 16h19

Na última sexta-feira (31/03), o Senado paraguaio aprovou a emenda que permite Horacio Cartes se postular a um novo mandato nas próximas eleições. A manobra parlamentar, articulada pelo Partido Colorado (direita governista) em conluio com a Frente Guasú (grupos pró-Fernando Lugo), ocasionou distúrbios em Assunção, contidos por uma desproporcional repressão da polícia, vitimando fatalmente Rodrigo Quintana, líder da Juventude Liberal. Quintana, de 25 anos, foi assassinado com 8 tiros disparados por um policial na sede do seu partido, PLRA. Mais de 200 pessoas foram presas e outras dezenas ficaram feridas, num episódio obscuro que fez relembrar os tempos da feroz ditadura de Alfredo Stroesnner.

Este novo capítulo sangrento da história política do Paraguai está umbilicalmente vinculado ao sub-imperialismo brasileiro: quando Fernando Lugo sofreu um golpe parlamentar em 2012, dentre as forças sociais por trás da tramoia estavam os sojeiros brasileiros, proprietários de uma grande parcela dos latifúndios em solo paraguaio. Isso explica em parte a total passividade do governo de Dilma Rousseff à época, bem como a estreita cumplicidade de Michel Temer com Horacio Cartes no presente.

Daqui do Brasil, o Juntos! se solidariza com a juventude paraguaia e conclama os movimentos juvenis do mundo inteiro a fazer o mesmo. O assassinato de Quintana não pode ficar impune! As mãos de Cartes e seus comparsas estão sujas de sangue! Independentemente das diferenças ideológicas, é necessário defender o direito democrático de se revoltar contra uma violação constitucional. Divergências políticas jamais podem ser dirimidas à força da bala e do cassetete em sociedades minimamente democráticas.

Temos a certeza que mais cedo ou mais tarde as forças populares do Paraguai, associadas às organizações juvenis, se levantarão em defesa da liberdade e da justiça social contra a casta lumpem-burguesa que administra e envergonha o país. Desde já, colocamos o nosso Acampamento Internacional da Juventude (dias 13 a 16 de abril no Rio de Janeiro) à disposição também para organizarmos um firme polo internacionalista de resistência aos regimes políticos que massacram suas populações e seus jovens.

Justiça para Rodrigo Quintana! Não à manobra constitucional no Paraguai!