Carta do Rio de Janeiro: sem muros nem fronteiras!

24/abr/2017, 09h51

No berço da Primavera Carioca, mais de 1500 jovens se reuniram nos dias 13 a 16 de abril no Acampamento Internacional das Juventudes em Luta para, juntos, debaterem alternativas e organizar luta. Mais de 10 países estiveram presentes, e durante o evento, em um momento histórico, pudemos contar com a participação em tempo real de Edward Snowden, um herói do nosso tempo. Fomos mulheres, negras e negros, LGBTs, estudantes universitários e secundaristas, trabalhadoras e trabalhadores. E essa “unidade na diversidade” é o que nos dá fôlego para enfrentar os poderosos, fortalecendo as fileiras da construção da greve geral.

Não aceitaremos que o futuro da juventude seja rifado nos acordos palacianos pela casta política corrupta, que teve seus esquemas desnudados pela Operação Lava Jato. Nossos direitos não serão moeda de troca em um balcão sujo de negócios. Vamos virar a política do avesso, sem ilusões com a velha esquerda que se vendeu ao regime político e a corrupção, queremos construir uma democracia real onde os 99% tenham vez e voz.

Por isso, no dia 28 de abril estaremos todos paralisando o país, em frente as garagens de ônibus, nos piquetes grevistas, trancando ruas e avenidas, em um grande dia de Greve Geral. Nossa tarefa é com muita unidade derrotar Temer e suas reformas. Impulsionando nas lutas e nas ruas uma nova alternativa de esquerda, capaz de representar a combatividade e indignação da juventude e dos trabalhadores.

Nem muros, nem fronteiras! A nossa luta é internacional! Da América Latina ao Curdistão, de norte a sul, estamos juntos construindo uma alternativa global ao capitalismo. Contra Trump e Temer as juventudes do mundo se levantam em solidariedade e defesa dos nossos direitos! Há resistência! Há esperança!

Nós x Eles, é a vez dos 99% contra o 1%! Não arredaremos o pé, por uma democracia real, o Brasil precisa de uma revolução política! A juventude não teme enfrentar os donos da exploração, da especulação, os que comandam as megaempresas, os bancos, governos e a mídia! No mundo que queremos – e para o qual lutamos – quem dita os rumos somos nós, para nós e por nós. Em nossa luta vive o espírito radical das ocupações de escolas e universidades, de junho de 2013 e da primavera das mulheres.

Que eles paguem a conta da crise! Contra o capital financeiro e o rentismo, taxar os ricaços! Sob a política do ajuste e da austeridade, o povo sofre a violência do desemprego, enquanto os bancos ampliam seus lucros. Essa lógica aprofunda a desigualdade que é crescente no mundo; poucos enriquecem e muitos empobrecem. Sendo assim, nada mais justo que sejam eles a pagar pela crise, defendemos taxação de grandes fortunas e heranças!

Pelo direito ao futuro! Queremos mais direitos! Não aceitaremos que os nossos direitos sejam rifados, negociados ou privatizados. Queremos estudar em escolas e universidades públicas, de qualidade e para todos. Queremos ter acesso à saúde e transporte públicos de qualidade, à cultura e ao lazer. Para sustentar seus privilégios, os 1% querem nos fazer trabalhar até morrer. Queremos nos aposentar e trabalhar com dignidade!

Nossas vidas importam! As mulheres, a negritude e os LGBTs vão derrubar os poderosos! Somos anticapitalistas e não aceitaremos que as mulheres, a negritude e os LGBTs paguem com a vida o preço alto do capitalismo! Basta de violência contra a mulher, feminicídios e controle dos corpos! Basta de genocídio e encarceramento em massa da população negra! Queremos viver em dignidade, e seguiremos ocupando as ruas e as redes até derrotarmos os poderosos. Contra aqueles que visam nos impedir de viver e amar com nossos corpos e afetos, que nos impõe o ódio, responderemos com a eterna e corajosa resistência das mulheres, da negritude, das lésbicas, das travestis, das/os trans, das/os bissexuais e dos gays.

Não mudem o clima, mudem o sistema! Os mesmos que atacam nossas vidas, exploram sem dó o meio ambiente! As grandes hidrelétricas, o desmatamento feito pelo agronegócio e os latifúndios são exemplos de como o capitalismo vem destruindo os ecossistemas, assassinando os povos tradicionais e os que lutam em defesa do meio ambiente e pela soberania das populações, a exemplo do que acontece com as hidrelétricas do Tapajós/PA. Não podemos caminhar para a barbárie, precisamos de uma alternativa ao sistema, e não ao meio ambiente!

Em defesa da Internet e por uma comunicação dos de baixo! A grande mídia, que tem sua maior expressão na rede Globo, defende os interesses dos poderosos e controla a imensa maioria da informação que circula pela população brasileira. A luta de Edward Snowden pela democratização da informação nos mostra que é preciso defender privacidade e liberdade na Internet, ao mesmo tempo que nos inspira a construir uma rede de comunicação independente que faça uso da Internet para furar o bloqueio dos meios tradicionais.

Basta da política ser dominada pelos 1%. É mais que hora de tomarmos em nossas mãos as decisões, refundar a política a partir das demandas dos jovens, dos trabalhadores, das mulheres, negritude e população LGBT. E, sem temer, vamos fazer de cada local de trabalho e estudo uma trincheira de construção da Greve Geral do dia 28 de abril, lutando contra as reformas, pelo Fora Temer e todos os corruptos!

A experiência das juventudes em luta no mundo nos reacende a esperança! Somos a juventude indignada, sem medo de lutar por um outro futuro, sem muros e nem fronteiras!