28A: Reacende a força da classe trabalhadora

04/maio/2017, 13h29

Grupo de Trabalho Nacional do Juntos!

O plano do Governo Temer, diante da crise econômica brasileira, é aprofundar o ajuste fiscal como maneira de manter e ampliar os lucros das grandes empresas e do capital financeiro. Esse plano se baseia em corte de verbas para áreas sociais, consolidado a partir da PEC 55, aprovada em novembro de 2016; retirada de garantias trabalhistas, reformando a previdência e achatando os salários das  e dos trabalhadores, produzindo uma precarização maior nas condições de vida do povo. Porém, a classe trabalhadora demonstra força de reação frente a estes ataques.

100 anos após a primeira greve geral no Brasil, protagonizada pelos operários em São Paulo, vivenciamos um grande momento histórico em nosso país: a Greve Geral do 28 de abril de 2017.

Em um cenário marcado por ataques a direitos históricos e uma crescente desmoralização da casta política corrupta que governa o país, mais de 40 milhões de trabalhadores em todo Brasil, ao lado da juventude, paralisaram suas atividades e ocuparam as ruas. O impacto político desta paralisação, para além do prejuízo financeiro imediato causado sobre os poderosos, se traduziu em uma grande demonstração de força da classe trabalhadora e dos setores populares frente aos planos do governo.

A luta unificada do povo trabalhador com a juventude fez com que o 28A fosse o primeiro passo para o (re)fortalecimento da organização popular que demonstrou outra vez a força de sua mobilização e sua capacidade de tomar seus destinos em suas mãos. A classe demonstrou que o empoderamento político do povo é peça fundamental para definir os rumos do país, evidenciando que não mais permitiremos que os de cima ditem os rumos de nossas vidas; os que foram às ruas e cruzaram os braços neste dia 28 de abril mostraram capacidade de se organizar para além dos aparatos sindicais tradicionais. O exemplo de junho de 2013, onde as tomadas de decisão deveriam ser coletivas e democráticas reverbera sobre a classe trabalhadora. Esta exigência por uma democracia dos de baixo, dentro e fora do movimento combinada com a unidade entre as mulheres, LGBT, negritude, povos indígenas, e todas e todos os lutadores do país pode ser capaz de rearticular um projeto de país com um programa de esquerda que engendre uma alternativa política.

Nós do Juntos estivemos presentes neste dia histórico. Trancamos ruas e pontes, participamos de piquetes em diversos estados como Minas Gerais, São Paulo, Pernambuco, Pará, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, além de estarmos ombro a ombro com trabalhadores (as) em todas as regiões do Brasil, tanto nos grandes centros urbanos, como nos interiores de nosso país, lutando e mobilizando nos rincões do Brasil. Nossa juventude foi exemplo de coragem e determinação na luta pelo nosso futuro e na defesa de direitos, fazendo valer nossa palavra de ordem de juventude piqueteira.

Repudiamos por completo a repressão policial contra as paralisações e manifestações. Como o gravíssimo caso do estudante Mateus Ferreira da Silva, que foi agredido com um cassetete na cabeça em Goiânia, a brutal repressão com bombas e balas de borracha no Rio de Janeiro e as agressões na USP, em que nosso militante Caio Ishida teve seu braço quebrado pela PM . Também não aceitaremos mais nenhum preso político, como seguem detidos três sem-teto em São Paulo. Quatro anos depois das jornadas de junho, Rafael Braga segue preso e condenado a 11 anos de prisão, elucidando o caráter racista da Justiça brasileira. Libertem Rafael Braga! Libertem também os presos políticos da Greve Geral!

O sentimento das jornadas de junho, das ocupações de escolas e universidades, da primavera feminista, do 29N, 8M e 15M foram o combustível para a construção da grande greve geral que tomou conta do país, paralisando atividades e ocupando as ruas em todos os estados brasileiros. Saímos dessa greve muito mais fortalecidos e preparados para o enfrentamento com o 1% e com disposição para construir um novo junho.