Fazer um novo Junho para derrotar Temer, todos os corruptos e suas reformas

31/maio/2017, 10h33

Ninguém aguenta mais Michel Temer. O movimento social, o povo e a juventude têm que cravar uma estaca no coração do vampiro, liquidando seu governo, evitando um acordão para eleições indiretas e paralisando o rolo compressor das reformas.

E isso só poderá se viabilizar com gente na rua, muita gente. Entramos numa nova onda de manifestações a partir do dia internacional das mulheres, um 8 de março histórico. O dia 15 de março acumulou forças para uma verdadeira greve geral. O dia 28 de abril foi uma ação sem precedentes de trabalhadoras e trabalhadoras em nosso país: a maior greve geral em décadas, provavelmente a maior da nossa história, na qual mais de 40 milhões cruzaram os braços contra as reformas e o ajuste do governo.

Para o Juntos, nossa resistência já tinha se iniciado no dia 29 de novembro contra a PEC do Fim do Mundo. E reforçamos nossas baterias na organização de um grande acampamento internacional das juventudes em Luta — mostrando ao mundo que o Brasil poderia ser protagonista de verdadeiras transformações pela mão da juventude.

#OcupaBrasília

O dia 24 de maio foi um gesto de coragem e força. Foram cerca de cento e cinquenta mil vozes, que viajaram por todo país para reverberar sua indignação. Foi um gesto massivo dos setores mais avançados dos trabalhadores. O acúmulo com o método de ocupações, que marcou o ano de 2016, sobretudo na juventude, foi a marca da convocatória — #OcupaBrasília.

A truculência de um governo absolutamente antipopular e a coragem acumulada pelo movimento de massas nos processos recentes permitiu um fato inédito: resistir para conter a repressão a fim de que ela não se alastrasse. O movimento fez a cavalaria recuar e saiu em caminhada ao final, até o estádio Mané Garrincha, de forma organizada e tranquila. De cabeça erguida.

O governo tentou nos intimidar aplicando um decreto que autoriza o uso das forças militares no DF. A sua revogação foi uma vitória popular, mostrando a fraqueza do governo e colocando a necessidade de novas ações.

Agora, é preciso seguir a luta para derrubar Temer e as Reformas. E para isso temos que ampliar com toda a força o movimento, o engajamento em novas ações e a simpatia popular.

Os Vândalos vestem gravata, carregam malas e estão no poder

Uma parte da grande mídia tentou descaracterizar a ação de Brasília sob o pretexto de que eram vândalos, esvaziando o conteúdo do protesto e livrando as forças repressivas das responsabilidades pela batalha campal do gramado do Congresso.

Essas mentiras deslavadas não colaram na população. Também pudera, o que estamos assistindo dia e noite pela televisão, jornais, revela a ação de uma verdadeira quadrilha que assaltam os cofres públicos. Ao mesmo tempo que quer restringir direitos.

Quem não se indignou com as malas de dinheiro distribuídas pela JBS para políticos como o deputado Rocha Loures? Com os milhões distribuídos para cabeças de diferentes siglas, com os privilégios como o de Aécio? Fora as jóias de Cabral. A compra do silêncio de Eduardo Cunha. Ou ainda a absolvição por Sérgio Moro de Cláudia Cruz, esposa de Cunha. Enquanto para os de cima há privilégios, Rafael Braga e tantos outros do andar de baixo, seguem sendo verdadeiramente perseguidos pela Justiça.

As grandes ‘campeãs’ nacionais, empresas como a JBS/Friboi e Odebrecht, levantaram fortunas explorando o suor dos trabalhadores e espoliando os cofres do orçamento que falta para a educação, saúde, assistência social. Os deputados, na sua grande maioria, são funcionários dessas grandes empresas e defendem seus interesses, um verdadeiro covil de ratos, para atacar nossos direitos. Por isso querem fazer jus aos mercados, ampliando a exploração do trabalho pela via das reformas trabalhista e da previdência.

Parar a mão dura da repressão

Outra face da atual conjuntura é violência do Estado diante de um maior conflito social. Além da repressão inaceitável de Brasília, onde o sindicalista Carlos luta para sobreviver após ser baleado por uma arma letal, temos uma escalada repressiva generalizada no Brasil.

A repressão aos lutadores é uma realidade. Nas universidades vários estudantes e lideranças são alvo de perseguição política, como o caso de Guilherme Montenegro na Unicamp, ou os nove jovens que estão sendo processados na USP São Carlos. Antes o estudante Matheus quase morreu durante a greve geral; dia 20 de junho teremos o julgamento dos ativistas das jornadas de junho em Porto Alegre.

Quem viu as cenas de demolição e repressão na Cracolândia em São Paulo, que levou à demissão da secretária municipal de Direitos humanos, ficou estarrecido.

No campo brasileiro, vivemos três trágicas chacinas: a dos Gamela, a de Panaguatira no Maranhão e a recente de dez camponeses em Pau D’arco no sul do Pará.

É preciso parar a mão da repressiva de Estado.

Contra as reformas vamos ampliar a luta: não pagaremos pela crise dos de cima

Lutar contra Temer, o presidente mais impopular da história, é uma obrigação. Vamos ampliar todos esforços para nas próximas semanas derrubá-lo de fato. Junto a isso precisamos aproveitar a brecha aberta e enfrentar a campanha milionária da grande mídia em favor das reformas. Temos que fazer esse embate em todos os lados, para politizar as parcelas amplas da população, disputar a narrativa sobre essas leis anti-povo que os corruptos querem aprovar. Além das reformas, os governos querem aproveitar para cortar gastos, atacar os sindicatos e privatizar os bens públicos, como Pezão fez com a Cedae no Rio de Janeiro.

Só com a unidade entre a juventude e os trabalhadores que estão em luta vamos poder encarar essa batalha. O futuro do Brasil deve ser decidido pelas ruas: construir um novo Junho de 2013

Para derrubar Temer é preciso esticar a corda e a pressão. O ato vitorioso com artistas pelo fora Temer em Copacabana, com Caetano, Mano Brown etc, marca que o cerco está se fechando.

No dia 6 de junho a expectativa é para o julgamento da chapa no TSE. Mas não podemos esperar. Temer terá que cair pela pressão popular, num caldo de lutas que pare as reformas e evite um acordão dos de cima, com eleições indiretas. A última reunião das centrais sindicais apontou para uma nova greve geral, que deve ser entre o período de 26 a 30 de junho, quando serão votadas as Reformas. Vamos mais uma vez unir classe trabalhadora e juventude por uma nova greve geral radicalizada e de massas, com piquetes e braços cruzados, com diálogo com a população.

Queremos virar esse sistema do avesso. O que vai decidir será a voz das ruas, o tamanho dos atos e da revolta popular. Devemos organizar caminhadas, comitês nos bairros, igrejas, clubes de escoteiros, amigos do RPG, grupos de whatsapp, todas formas organizativas para colocar a juventude em movimento. Trabalhar pela base com o protagonismo do povo brasileiro.

Precisamos de uma verdadeira revolução política no país, com eleições gerais, abrindo o caminho e a discussão de uma assembleia popular constituinte. E ir costurando um programa alternativo e anticapitalista que inverta as prioridades econômicas do Estado, que taxe os grandes milionários, exproprie os corruptos como a JBS/Friboi, a OAS, Odebrecht e cia para ter verbas para nossas demandas e conquistas. Que acabe com o monopólio da grande mídia como a Globo e a Folha de São Paulo; que avance na auditoria da dívida pública; que termine de uma vez por todas o genocídio do povo negro no Brasil. Que faça a agenda de Junho de 2013 voltar com toda força para ser cumprida.

Dar um salto na organização nos grêmios estudantis, diretórios acadêmicos, sindicatos e associações de bairro. Na relação com o hip-hop, com o funk, com a cultura da periferia, da juventude indignada, terceirizada ou desempregada. Será pela base que está fervilhando de indignação, que a nova greve geral irá surgir.

Nesse sentido, a juventude tem um calendário importante em junho: o Congresso da União Nacional dos Estudantes – CONUNE. Um CONUNE que será marcado por um salto de consciência dos(as) universitários(as) Brasil afora, após o processo de ocupações nas universidades em 2016, e principalmente, pela negação ao governo Temer, à corrupção e as reformas. Não podemos fazer desse encontro o mesmo que o de anos anteriores. Devemos dar um passo à frente da entidade na unidade dentro da diversidade dos estudantes presentes realizando uma grande mobilização contra o Temer e sua agenda de ataques. Nessa lógica, é uma perda que o evento seja em Belo Horizonte ao invés de Brasília. A conjuntura está acelerada e não podemos ficar para trás, devemos batalhar para realizar o CONUNE no centro político do país repetindo a vitória do #OcupaBrasília e emparedando cada vez mais Temer e sua quadrilha. E batalhar ainda mais, para que a UNE tope de conjunto levar até as últimas consequências a luta contra Temer, as Reformas e por eleições diretas.

Nossa ambição é construir um novo Junho para fazer valer a força de nossas ideias. Estamos no meio do jogo, precisamos derrubar logo Temer para ir para uma ofensiva da força popular. E só poderemos dar esse passo se unirmos toda a nossa energia num esforço para dar o xeque mate no governo corrupto e ilegítimo: epurra, empurra forte, empurra Junto. Empurra que cai. Fora Temer, rumo a um novo junho!

Grupo de Trabalho Nacional do Juntos