Lutar sem Temer: o DCE da UFF é da Oposição de Esquerda!

29/maio/2017, 16h04

Por Fabiana Amorim

Em plena semana de #OcupaBrasília, onde mais de 150 mil trabalhadores e estudantes encurralaram Temer e o Congresso por Diretas Já, a Oposição de Esquerda retoma o DCE da Universidade Federal Fluminense. Depois de quase quatro anos de uma gestão marcada por acordos a portas fechadas com a reitoria, de desmobilização e paralisia, de desrespeito à opinião dos estudantes, como na votação da EBSERH, e sobretudo falta de democracia, a UFF foi invadida por uma maré por um novo modelo de movimento estudantil. Onde a política e o projeto de universidade construído a muitas mãos, venceu a despolitização e os velhos métodos de se fazer movimento.

A UFF é o principal modelo de expansão das universidades públicas, pois foi a que mais cresceu em números absolutos de novas matrículas. Mas carrega também as principais contradições da expansão sem financiamento. A universidade é uma das que menos formam estudantes comparado ao número dos ingressantes. Uma taxa próxima de 20%. Isso é resultado da enorme evasão estudantil, que em sua maioria é motivada por questões financeiras.

A realidade de falta de bolsa e auxílio para cotistas, falta de creche para as mães, falta de moradia para aqueles — muitos! — que vêm de longe, a falta de bandejão em quase todos os campi, a falta de um passe livre intermunicipal, fazem com que milhares de estudantes sejam obrigados a sair da Universidade sem conseguir concluí-la. A campanha da nossa chapa “Quem Não É, Não se Esconde”, teve como eixo central a defesa da assistência estudantil na UFF. E esta deve ser a priodade número um da atuação do movimento estudantil da Universidade.

Mesmo com essa dura realidade para os estudantes da UFF, em que apenas 4% recebem qualquer tipo de auxílio permanência, descobrimos que de 2013 até aqui, cerca de 25 milhões do dinheiro que vem do Programa Nacional de Assistência Estudantil (PNAES) — que só deve ser destinado para este fim — vinham sendo desviados para o pagamento de empresas terceirizadas e empreiteiras. Empresas estas que constantemente deixam de pagar o salário dos trabalhadores terceirizados da universidade, e empreiteiras estas que estão com as obras dos novos prédios atrasados há anos. Defendemos a intransigente transparência nas contas da UFF, e cobramos o reitor — que já foi notificado pelo Tribunal de Contas da União por suspeitas de superfaturamento em obras na universidade — para que se tenha prioridade e responsabilidade para enfrentar os problemas dos estudantes.

Nossa vitória, que não foi por acidente, só foi possível com muita unidade. Unidade que vinha sendo construída desde a luta contra a privatização do Hospital Antônio Pedro, pois enquanto a Oposição de Esquerda era reprimida ao lado dos trabalhadores do lado de fora do Conselho que aprovou a EBSERH, a então gestão do DCE votava a favor, lado a lado da reitoria. A unidade dos 8 coletivos e diversos estudantes independentes que venceram a eleição do DCE, vem da luta incessante por uma UFF pública, de qualidade e que acolha seus estudantes. Travada com muita coragem e mobilização.

O resultado da eleição do DCE da UFF, deve ser um recado a todo o movimento estudantil universitário do país. Nós não temos tempo de titubear. É necessário ter lado nessa conjuntura e colocar o movimento estudantil à disposição da disputa de um novo Brasil. A derrota daqueles que escolheram não adiar a eleição, numa semana em que o país foi marcado por uma batalha em Brasília, demonstrou que ou nós temos lado nesta história, ou ficaremos para trás. Este deve ser o marco do próprio Congresso da UNE (CONUNE) que inicia no mês que vem, entre os dias 14 e 18 de junho. Nós temos que fazer deste CONUNE o principal espaço nacional de mobilização estudantil para encurralar o Congresso Nacional pelo Fora Temer e por Eleições Diretas Já.

Não é mais possível um movimento estudantil alheio as disputas do nosso futuro. Não nos escondemos e por isso vencemos o DCE da segunda maior universidade do país! Que este seja o marco das batalhas que virão.