Só podemos confiar em nós mesmos

09/jun/2017, 14h25

Por Júlia Sprioli

Ainda nessa manhã (9), se iniciou a votação, parte mais importante, do julgamento da chapa Dilma-Temer por abuso de poder econômico nas eleições presidenciais de 2014. Segundo consta, a acusação partiu da evidência do uso de caixa 2 para compra e venda de tempo de televisão. O processo tem mais de 8 mil páginas da relação espúria que se tornou corriqueira entre grandes empresas e os partidos políticos. E isso não é o mais impressionante.

Compra e venda e propina, caixa 2 facilitado pelas contas de caixa 1 e extorsão. Mordomias e privilégio nas licitações que autorizam obras faraônicas nos mais diversos cantos do país. Mesada para os que sabem demais, como o áudio da JBS mostra ao ouvirmos a voz de Temer autorizando a compra do silêncio de Eduardo Cunha, o gângster.  Demissão em massa para os que de alguma forma querem salvar o próprio rabo antes que os peixes pequenos sejam engolidos pelos tubarões que dominam os negócios através da política. Até a indicação de última hora de 2 dos 7 ministros da Corte, os ministros Admar Gonzaga e Tarcísio Vieira, que hoje tem nas mãos o mandato do ilegítimo presidente podemos adicionar na conta de absurdos do Vampiro. E isso, ainda, não é o mais impressionante.

O mais impressionante, e talvez o mais importante, é a certeza de só podemos confiar em nós mesmos para derrubar Temer e barrar as reformas. As irregularidades só no período da campanha de 2014 somam mais de 70 bilhões! As denúncias e a própria posição de Michel Temer são mais do que suficientes para a sua condenação. A ironia de Gilmar Mendes, o tucano que abriu a investigação e hoje é o principal conselheiro de Temer ao dizer: – “Daqui a pouco, Benjamin vai querer ouvir até os delatores da JBS”, sobre o pedido de adicionar às investigações as delações da Odebrecht demonstra que a Corte não está interessada na forma corrupta latente de governar de Temer.

Mesmo com todas as evidências, com todas as provas. Com os compradores do dinheiro, com os donos do dinheiro, com os negociadores, os lacaios, as testemunhas e quem mais seja, não foi suficiente para derrubar Temer. A única alternativa somos nós. Somos nossos únicos aliados. A responsabilidade é nossa. E somos nós contra eles.

Se negam a nos ouvir e nos negam o poder de decidir. A absolvição de Temer é uma demonstração de poder. Nessa queda de braço, nós temos a maioria. Dia 30, vamos parar o Brasil!

Júlia Sprioli é ativista do Juntos! RJ