As vidas negras importam: a favela quer viver!

24/jul/2017, 22h40

Por Aguessiano Mo Chavão, secundarista, morador de Caxias e ativista do Juntos! RJ.

Fonte: http://fogocruzado.org.br/relatorio-julho-semana-110717-a-170717/

Os dados são alarmantes: a cada 23 minutos morre um jovem negro em uma escola das zonas conflagradas do Rio de Janeiro. Em um ano, entre julho de 2016 e julho de 2017, o Rio de Janeiro registrou mais de 3.829 tiroteios ao total. Mais de 10.000 alunos estão sem aulas por conta da violência na cidade. Para completar, entramos no terceiro semestre em que as escolas tem mais dias sem aulas do que com elas. 

Reflexo da violência generalizada na cidade do Rio de Janeiro, os números de mortos nas escolas por bala perdida só aumenta. A cada operação que ocorre nas favelas do Rio recebemos mais uma notícia de mais uma mãe chorando a perda de seu filho. Na maioria dos casos a bala perdida parte não do traficante, mas sim daqueles que deveriam “nos servir”, da Polícia Militar.

A história de Maria Eduarda, estudantemorta também dentro da escola por um tiro de fuzil na aula de educação física, aconteceu em Acari, uma das zonas que concentra o maior número de escolas e creches com violência armada.

A situação é grave: além da extrema violência, o estado tem fechado escolas e creches para fazer base das UPP – Unidade de Polícia Pacificadora. Ainda há pouco tempo, diversas denúncias de moradores de áreas de risco correram o Rio de Janeiro: os policiais militares das UPPs invadiam suas casas e as transformavam em base. E permaneciam lá por muito tempo.

Até quando isso vai continuar? Até quando sofreremos com a violência desse estado facista e racista? A cada dia que passa a gente continua morrendo. Seremos escudos deles para sempre? Está mais do que evidente, mais UPP não é solução. Quanto mais polícia, mais guerra nas favelas e mais mortos.

Precisamos fazer um debate honesto: a política de guerra às drogas e o encarceramento em massa é um disfarce do genocídio ao povo preto. Enquanto não nos atrevermos a mudar isso, mais Marias Eduardas serão mortas.

O povo preto quer viver. Paz nas favelas!