Temer quer endividar os estudantes do FIES: não deixaremos!

07/jul/2017, 15h38

Nessa semana, Michel Temer anunciou que a cobrança do FIES passará a ser consignada ao salário do estudante e poderá ter desconto de até 30%, sendo obrigatório o aceite dessa cobrança no momento do contrato. Na regra atual, o estudante tem um ano e meio após a formatura para o início do pagamento. Na nova regra, portanto a devolução do empréstimo, que passará a ser atrelado ao salário, começará mais cedo. E caso o recém formado não consiga um emprego, o governo definirá um prazo para acionar fiador e fundo garantidor, tendo um limite que deverá ser de apenas alguns meses.

Com o crescente endividamento dos estudantes, as novas medidas em relação ao FIES preveem mais cortes e dificultam ainda mais o acesso ao programa, agravando a situação dos estudantes que dependem do FIES para ingressar no ensino superior. Desde 2015, durante o governo Dilma, os ataques à educação já se mostravam presentes e crescentes, tendo se intensificado após a tomada de poder pelo governo ilegítimo de Michel Temer.

Há dois anos consecutivos a dificuldade para os estudantes de universidades privadas pagarem as mensalidades de seus cursos tem aumentado. No ano de 2014, 7,8% dos estudantes tiveram atrasos com mais de 90 dias, em 2017 esse número tende a aumentar para 11,1%. As porcentagens são ainda maiores em atrasos de mais de 30 dias, chegando a 16,6%, segundo dados do Semesp, órgão que representa instituições privadas. O diretor-executivo da Semesp, Rodrigo Capelato, afirmou que apenas 20% dos alunos conseguem pagar as mensalidades em dia. Nas instituições de ensino privado de pequeno porte a dificuldade para pagar as mensalidades é ainda pior.

Aliada ao desemprego, que tem afetado bruscamente a faixa etária mais jovem, está também a redução da oferta de contratos do FIES que ocorre desde 2015. A realidade de grande parte dos estudantes do PROUNI e FIES, é de uma rotina pesada, conciliando a necessidade de trabalhar em subempregos e se dedicar aos estudos, para no futuro terem, talvez, a condição de pagarem as dívidas adquiridas pelo financiamento estudantil e garantirem a própria sobrevivência e de a suas famílias.

Michel Temer se mostra disposto a fazer a população menos favorecida a pagar pelos erros do andar de cima, encaminhando o desmonte da educação em todos os níveis, colaborando com o endividamento da juventude no ensino superior, e vendendo o discurso “não pense em crise, trabalhe” para os jovens que buscam romper as barreiras econômicas e sociais almejando o desenvolvimento e ascensão profissional. Não podemos assistir calados o desmonte que o governo Temer está realizando na educação. Se querem expulsar a juventude das universidades, nós é que tiraremos Temer da presidência! Não aceitaremos que nenhum governo corrupto e ilegítimo dê as ordens sobre o rumos da educação em nosso país. Seguimos juntos por uma universidade para todas e todos. Fora Temer!