⁠⁠⁠⁠⁠Mulheres negras são a ponta de lança na luta contra a Reforma Trabalhista

06/ago/2017, 18h03

A crise econômica e política vem tomando imensas proporções. E para retratá-las não precisamos ir muito longe, basta olharmos ao nosso redor que veremos amigas nossas tendo que aumentar sua jornada de trabalho com bicos para conseguir pagar suas contas ao final do mês. Em nossas escolas, universidades, bairros vemos crescer o número de pessoas que recorrem à venda de comidas, bebidas, cuidar de crianças e tudo que a criatividade nos permita inventar para sobrevivermos. Mas nada como olharmos alguns dados para percebermos que esses ataques não são decorrentes de nossas vidas individuais, mas parte de uma política predatória tocada pela supremacia branca.

O IBGE divulgou no dia 23 de fevereiro dados sobre a taxa de desemprego no Brasil no último trimestre de 2016. E não é por acaso que a maior taxa está entre a população negra. São 14,14% desempregados pretos, 14,1% pardos, contra brancos 9,5%. A desigualdade fica ainda mais gritante quando comparamos os gêneros. As mulheres totalizam 13,8% de desempregadas enquanto os homens encaram uma taxa de 10,7%.

Superar a taxa de desemprego para nos recolocar no mercado de trabalho não está sendo uma tarefa fácil. E mesmo quando conseguimos romper essas barreiras encontramos de cara com o racismo estrutural de nossa sociedade que possibilita que 58,4% das mulheres brancas tenham carteira assinada, enquanto apenas 40,2% das negras tem. E ainda para ilustrar, em 2015, o salário médio de um adulto branco era de R$ 2.509,7 reais frente aos 1.027,5 que recebia uma mulher negra. Sabemos que essa mulher negra que recebe por volta de 1000 reais é uma exceção, pois ocupamos os piores postos de trabalhos como serviços de limpeza em escolas, hospitais que não nos oferece estabilidade e nem o pagamento dos salários em dia.

Para a mulher negra se colocar no mercado de trabalho é quase sinônimo de ocupar postos precarizados. Dados revelados por uma pesquisa do Sindicato das Empresas de Asseio e Conservação do Estado do Rio de Janeiro apontam que 92% dos trabalhadores nos serviços de limpeza terceirizados são mulheres, enquanto 62% são negros. Dados do Instituto de Pesquisa Econômicas Aplicadas apontam que, em 2009, existiam 7,2 milhões de brasileiros trabalhando na limpeza, cozinha e manutenção de casas e escritórios, dos quais 93% do total (cerca de 6 milhões) eram mulheres e 61,6% do total (4 milhões) eram negros e negras.

São essas mulheres que a contra Reforma Trabalhista irá afetar duramente! As mulheres negras.

Os ricos e poderosos vem cheios de sede para retomarem seus lucros e obrigam a classe trabalhadora, que é em sua maioria formada por mulheres negras, a trabalharem ainda mais e pagar pela crise. Nessa esteira de ataques à nossa vida, assistimos a aprovação das Leis da Terceirização (Lei 6.019/74) e a Reforma Trabalhista (Lei 13.467), contra reformas que impactam diretamente na vida das mulheres negras.

A reforma trabalhista que está sendo debatida na Câmara permite que grávidas ou mulheres que estão amamentando trabalhem em condições insalubres –aquelas que podem fazer mal à saúde, como barulho, calor, frio ou radiação em excesso. Ou seja, as mulheres negras deverão limpar banheiros de escolas, hospitais, universidades estando grávida e até amamentando! Elas serão liberadas apenas mediante atestado médico. Em primeiro lugar, questionamos se os atestados médicos serão mesmo uma garantia de proteção para a mulher e o feto, porque o médico pode não ter o conhecimento específico necessário sobre segurança no trabalho e não ir examinar o local de trabalho. Em segundo, conseguir marcar consultas com médicos do trabalho não é uma tarefa fácil pra quem usa o SUS.

Se a realidade está dura para nós é nessa hora que precisamos juntar nossas forças enquanto mulheres negras, nos apegar a nossa ancestralidade de muita luta e nos organizarmos para que as Reformas Trabalhistas e da Previdência não avancem. Não podemos deixar que a branquitude e os engravatados ditem os rumos das nossas vidas, que nos coloquem ainda mais na marginalidade, tomenos em nossas mãos a garantia das nossas vidas!

A imagem pode conter: 3 pessoas, pessoas em pé e atividades ao ar livreMichel Fora Temer governa para osricos e ele não sairá da presidência se ficarmos em casa ou lutando para garantir nossa vida diariamente.

As mulheres precisam se unir e em torno da luta das mulheres negras, pois são elas as que sustentam a sociedade e que sofrem.

Como disse Angela Davis em palestra no Julho das Pretas, ocorrida na Universidade Federal da Bahia, “quando mulheres negras se movimentam, o mundo todo se movimenta!”

Diante dessa desenfreada onda de ataques precisamos continuar lutando, devemos repetir nossa exemplar mobilização do dia 8 de março e ocupar às ruas por um feminismo das 99%, denunciando o conjunto de ataques direcionados às mulheres negras, Contras Reformas e exigindo a saída de Temer e por Eleições Gerais!

Vamos nos aquilombar!

 

Veja mais em:

http://justificando.cartacapital.com.br/2017/04/26/terceirizacao-a-precarizacao-da-protecao-a-mulher-e-a-crianca/

http://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2017-05/excesso-de-tutela-estatal-prejudica-gestante-diz-relator-da-reforma

https://economia.uol.com.br/noticias/efe/2017/03/06/mulher-negra-continua-com-menos-oportunidades-no-brasil.htm?cmpid=copiaecola

https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2017/04/21/reforma-trabalhista-deixa-gravidas-trabalharem-sob-radiacao-frio-e-barulho.htm?cmpid=copiaecola