Contra Crivella, Barros e Pezão: entenda a crise da saúde no Rio

07/ago/2017, 13h02

Na última terça-feira, dia 1/8/2017 as redes sociais amanheceram com a notícia de uma série de cortes na pasta da saúde carioca: o fechamento de 11 clínicas da família na Zona Oeste, a previsão de fechamento de mais clínicas, o aviso prévio aos trabalhadores da UPA de Manguinhos e o fechamento da emergência psiquiátrica do Instituto Municipal Philippe Pinel; essencialmente unidades de atendimento a uma ampla parcela da população, sobretudo aqueles que mais precisam. Os trabalhadores e trabalhadoras em conjunto com os usuários se mobilizaram rapidamente no mesmo dia para organizar manifestações e luta em seus territórios. O prefeito Crivella reagiu e na mesma tarde recuou e disse que não haverá fechamento das clínicas, mas, como temos acompanhado nessa gestão, a palavra do prefeito não garante muita coisa e por vezes acaba mudando de postura. Somado a isso, o modelo das OSs faz com que o prefeito possa modificar a estrutura do sistema de saúde do Rio do dia para noite e o seu partido (o PRB) está seguido a mesma linha governamental de Pezão e Temer (PMDB). Nacionalmente a conjuntura de desmonte do SUS se explicita através da reforma da Política Nacional de Atenção Básica apresentada pelo atual ministro, Ricardo Barros, que tem mostrado a cada dia que não entende nada de saúde, propõe uma reforma nesta política com um texto que dá margem para uma mudança completa nas equipes da saúde da família, para o fim do trabalho dos Agentes Comunitários de Saúde e dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família, da maneira como temos hoje. Essa reforma acaba dando margem para que o prefeito Crivella siga com a sua política de fechamento das Clínicas da Família, de demissão dos trabalhadores e de retirar o acesso à saúde gratuita e de qualidade a toda a população, que é um direito constitucional e sabemos que, hoje, é a população mais pobre que ficará sem acesso a esse direito fundamental para a vida.

A partir da terça-feira diversas manifestações foram organizadas pelos trabalhadores das clínicas em seus territórios culminando em uma grande manifestação de milhares de pessoas na última sexta-feira às 15 horas em frente à prefeitura. Provavelmente a maior manifestação de rua desde a última Greve Geral na cidade. Lá foi realizada uma assembleia com a presença de médicos, acs, ace, psicólogos, enfermeiros, nutricionistas, dentistas, dentre outras categorias, contando também com presença massiva de usuários, que saíram em defesa de seu direito à saúde. Nesse espaço foi aprovado o manifesto do movimento. Desde então o prefeito, que já havia recuado e dito que nenhuma clínica fecharia, em reunião com o movimento, assegurou as clínicas, mas não garantiu a manutenção de todos os profissionais, estando os Agentes Comunitários de Saúde e Agentes de Saúde Bucal ainda em risco de demissão pela possível redução de profissionais contratados.

Tendo em vista os ataques e o desmonte sofrido nos hospitais estaduais e Federais no Rio de Janeiro, não temos como deixar passar a situação da saúde municipal. Se hoje com todas as clínicas e Unidades de Pronto Atendimento em funcionamento existe uma grande dificuldade no acesso à saúde, como iremos lidar sem UPAs, clínicas da Família e mesmo hospitais que poderiam dar um suporte? Só podemos chegar à conclusão de que pra esse governo que foi eleito com o mote de “cuidar das pessoas” saúde não é prioridade.

Nesta quarta dia 9/08 acontecerá a reunião do Conselho Nacional de Saúde que pela primeira vez será feito fora de Brasília, na FIOCRUZ, localizada no RJ. Este será o próximo espaço de grande mobilização do movimento que luta contra a nova PNAB e pela manutenção de todas as equipes da atenção básica. Seguiremos lutando em defesa do SUS: Nenhum profissional a menos, nenhuma equipe a menos, nenhuma clínica a menos. Saúde é direito básico!

Co-autoria: Kainan Machado– Executiva Nacional dos Estudantes de Enfermagem; Bárbara Chiavegatti– Psicóloga do Mandato David Miranda; Juliana Levra e Vanessa Couto– Nutricionistas residentes da ENSP. Todos são militantes do Juntos! RJ