Da crise ao caos: a corrida de Michel Temer em troca de votos para esta quarta-feira

02/ago/2017, 12h11

  1. Por Fernanda Piccolo, fotógrafa e militante do Juntos RS

Nada de novo sob o sol – ou pelo menos esse sol que vem pairando sobre as terras brasileiras no último ano. O (des)governo mais odiado da história do país desde a redemocratização, o de Michel Temer, angaria o grandioso total de mais de 94% de reprovação popular. O motivo de tanta revolta? O ciclo sem fim de reformas que atacam os direitos do cidadãos brasileiros, mulheres, negrxs, LGBTs e principalmente a juventude. Segundo os dados do Ibope, a queda diária e a falta de confiança é gerada pelo reconhecimento da população dos diversos escândalos políticos que rondam a figura do ilegítimo presidente. Mas quem parece ainda não se importar com isso é o próprio Temer.

Ao mesmo tempo em que o presidente precisa esconder os rastros que deixa por aí, seus braços já não conseguem segurar o peso de suas negociações por trás das cortinas. O melhor exemplo disso está nesta própria quarta-feira. Acontece agora a votação, na Câmara dos Deputados, da denúncia apresentada contra o Vampirão pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

A votação funcionará da seguinte forma: se 342 parlamentares concordarem com o encaminhamento do processo e rejeitarem o parecer do deputado Abi-Ackel (PSDB-MG), a acusação segue; entretanto, para que seja barrada e Michel Temer continue na presidencia são precisos apenas 172 votos. Mas a questão é: como estes votos estão sendo conquistados?

Bom, podemos citar uma série interminável de notícias que surgem nos jornais sobre Temer e as manobras atrás de manobras para conseguir os votos que precisa. Entre a velha prática fisiológica de trocar cargos por votos para permanecer no Planalto, há ainda longos dias de reuniões com deputados e ministros para negociar trocas que beneficiem ambos lados (os também chamados toma-lá-da-cá).

Na última terça-feira, Temer recebeu mais de 30 deputados em seu gabinete. Sem contar o almoço junto à Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) que juntou cerca de 52 deputados, o jantar oferecido por Fábio Ramalho (PMDB-MG e vice-presidente da câmara) e seus telefonemas de dentro do gabinete. 
E isso não é nem o começo!

Não podemos esquecer a forma que estão sendo negociadas exonerações temporárias de 12 ministros para participarem da sessão como deputados e votarem ao lado de Temer. Além do Parecer 001/2017, que permite a negociação sobre terras indígenas e o avanço da bancada do agronegócio.

Nada de ingenuidade: os deputados inclusive continuam dando entrevistas sobre o fato de Temer não oferecer algo, mas deixar “em aberto” a oportunidade de benefícios entre as partes. A estratégia do governo é derrubar o quanto antes a denúncia, trazendo pelo menos os 342 deputados necessários como quórum mínimo para que a votação seja iniciada.

Ainda sobre a troca de cargos, o Planalto mexeu na Fundação Nacional de Saúde (Funasa), em diretorias da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev). Já no sábado anterior, aconteceu uma janta com o senador Aécio Neves (PSDB-MG) para selar apoio entre os dois corruptos. Em resumo, na tentativa de agradar a todos os partidos da base, o presidente vem recebendo parlamentares diariamente, ouvindo pleitos das legendas aliadas e mapeando a evolução dos infiéis.

Como se não bastasse tudo isso, é bom lembrar: Temer é citado 43 vezes na delação da Odebrecht para a Lava-Jato. E, depois de trocar ministros em seu julgamento no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), foi absolvido da acusação de poder político e econômico nas eleições da Chapa Dilma-Temer em 2014.

 O povo mostra indignação!

Uma pesquisa do Ibope chegou a registrar que 81% dos eleitores querem que os deputados aprovem o prosseguimento da denúncia e que mais de 70% ficarão indignados caso aconteça o contrário. Mas, para isso, é preciso além da indignação silenciosa. Precisamos pressionar cada vez mais os deputados para que eles não vendam nossos direitos e se auto-beneficiem com as negociatas.

Não à toa, a ideia de que a votação seja transmitida ao vivo pelas grandes mídias próximo ao horário nobre vem causando desconforto aos deputados, visto que seus rostos se tornarão conhecidos. Afinal, as eleições estão aí e eles não querem ser associados a Temer. Isto reflete cada vez mais a política covarde travada pelo PMDB. Desde suas alianças com o governo Dilma, junto aos tantos outros partidos que se agarram e comem os direitos do povo. É preciso cada vez mais pressionar as grandes mídias e estampar as caras dos inimigos do povo!

Enquanto Rafael Braga está preso, jovens negros continuam morrendo junto com pessoas LGBTs, a saúde sofre precarizada, a saúde mental não é nem cogitada, os estudantes param em greves por não ter o básico. A taxa de pessoas em situação de rua aumenta e a violência torna-se incontrolável. Só podemos chegar à conclusão de que nos tornamos o reflexo do governo branco, machista, hétero e burguês comandado pelos que estão no poder.

Para que nossa voz não seja completamente silenciada precisamos continuar empurrando Michel Temer e fazendo com que esta quarta não seja uma votação em vão. É mais que necessário que o povo saiba quem o governa e, além disso, lute para que não seja deixado de lado.

#ForaTemerPQ