Por Daniel Oliveira
Estudante do Julinho e militante do Juntos

Não é novidade para ninguém que nas dependências do maior colégio público de Porto Alegre, o Julinho, havia consumo de drogas. Mas parece que só hoje, depois de uma reportagem que saiu no Jornal Zero Hora que “investigou” o tráfico de drogas dentro do Julinho durante uma semana, algumas pessoas se deram conta disso. Apenas uma semana. A novidade mesmo são repórteres andando livremente e filmando alunos menores de idade dentro da escola.

Desde o início do ano, nas reuniões do Conselho Escolar, os conselheiros tem debatido maneiras de reduzir os danos para os usuários de drogas, que antes de qualquer coisa são alunos do Julinho, tendo em vista que TODOS os professores, alunos, funcionários, membros da equipe diretiva etc sabem do uso de drogas dentro do colégio. Ao final desse debate se teve a proposta de aderir a um projeto de redução de danos, que foi feito pela conselheira Adriana. Tal projeto até hoje não foi posto em ação.

A falta de monitores na escola, as salas sem estrutura, a falta de uma merenda de qualidade, o parcelamento de salários dos professores e a falta de investimento na educação fazem com que essa situação piore cada dia mais. O governo Sartori escancaradamente quer sucatear ao máximo para futuramente privatizar o ensino, não a toa no ano passado propôs o PL 44, que foi vencido pelos secundaristas que ocuparam as escolas.

Mas se por um lado temos um “Julinho da vida” sem nenhuma estrutura para os alunos e nem para os professores, e onde se tem uma “rotina de tráfico”, por outro lado temos os “Anchietas”, os “Maristas da vida” onde o tráfico, tanto nas redondezas, quanto nas dependências da escola rola solto também. Por que a ZH não investiga também as escolas particulares? Ou por que não se preocupa em saber quanto o Sartori vai investir em projetos que sejam eficazes, de fato, para esses jovens usuários de drogas?

A grande investigação da ZH só resultou numa coisa: “descobrir” que estudantes fumam maconha.

A ZH é o jornal que dá uma coluna diária para pessoas como David Coimbra, um cara extremamente preconceituoso. Faz parte do grupo RBS, que não se preocupa em saber a quantas anda o processo do Sérgio Orlandini Sirotsky Filho (herdeiro do grupo RBS), que estuproou uma menina de 13 anos e recentemente atropelou, matou e fugiu sem prestar socorro um jovem em Santa Catarina. Sobre esse tipo de jovem infrator, delinquente, a Zero Hora não escrever uma linha sequer.

É absurda a tentativa de desmoralizar a escola pública, é absurda a tentativa de criminalizar os estudantes do Julinho por conta de alguns cigarros de maconha. Isso não vai fazer sentido nenhum se continuarem sem ser investigados os grandes traficantes donos de fazendas e que transportam as drogas não pelos muros ou grades de colégios, mas sim com seus helicópteros. Tentar criminalizar a juventude que já é mais que criminalizada todos os dias, em todos os espaços é absurdo, tentar desmoralizar o ensino público e não dizer que escolas particulares que são “padrão” de educação existe, também o trafico de drogas é muito mais que absurdo.