Nenhuma privatização: nossos direitos não estão à venda

04/ago/2017, 17h01

*Diogo Dias e Guilherme Fregonese, militantes do Juntos! SP

Vivemos hoje, uma grave crise política e econômica no Brasil: a aprovação da Reforma Trabalhista e a tramitação da Reforma da Previdência na Câmara de Deputados, junto de um governo ilegítimo composto por uma casta política profundamente envolvida em escândalos de corrupção. Diante da crise política e econômica a solução dos governos é vender tudo que há de público, tratando os direitos sociais como mercadorias.

Essa ideia tem se concretizado de forma avançada nos estados e municípios; assistimos no estado de São Paulo e em suas cidades o avanço da privatização dos serviços públicos, uma verdadeira venda dos nossos direitos à grandes empresas privadas que só tem um objetivo: lucrar em cima das costas do povo.

Na cidade de São Paulo, o prefeito João Dória avança com o seu projeto de privatizações, cujos alvos são os espaços e serviços públicos da cidade como o Pacaembu, o parque Ibirapuera, o mercado municipal, o autódromo de Interlagos e o bilhete único, todos entregues a grandes empresas.Se não bastasse isso, os empresários com quem Dória negocia são ligados a LIDE, grupo em que o próprio prefeito é ligado e foi sócio até assumir a prefeitura. Isso é um evidente caso de tráfico de influência e corrupção disfarçada de “gestão eficiente”.

Geraldo Alckmin vem numa grande ofensiva de privatização das linhas de metrô da cidade de São Paulo: a linha 4-amarela já é privatizada, a bilheteria da linha 5-lilás já está sob o controle de empresas terceirizadas e, agora, o governador está estudando passar a linha 2-verde para as mãos da iniciativa privada. Ao mesmo tempo, tem negociado a venda de importantes espaços florestais do estado como os hortos e parques: nessa situação se encontram 25 parques estaduais; tudo isso sem nenhum diálogo com a população. Na USP, a reitoria já sinalizou a contratação de uma empresa privada para gerí-la (McKinsey & Company) e não faltam editais da Folha de São Paulo em defesa da cobrança de mensalidade na universidade por figuras como Kim Kataguiri do MBL.

Todos esses processos se configuram como um verdadeiro ataque aos direitos da juventude e dos trabalhadores. A venda dos nossos direitos só têm servido ao lucro dos grandes empresários e tem nos feito pagar por um serviço que deveria ser gratuito e que, para além de tudo, é de má qualidade. A atuação das empresas privadas é bastante clara: quanto maior os preços, menor tem sido a qualidade dos serviços. Exemplo disso é o transporte na cidade de São Paulo e nas cidades do interior, em que as empresas responsáveis por este serviço aumentam ano a ano as tarifas e diminuem a frota de ônibus, resultando num transporte coletivo superlotado e de má qualidade. O aeroporto de Viracopos na região de Campinas, primeiro aeroporto de grande porte concedido à iniciativa privada, teve uma privatização desastrosa e agora a empresa que o administra não consegue lucrar e quer devolver ao governo.

A privatização da educação, da saúde, do transporte e do lazer ocorre pela precarização desses direitos por parte dos atuais governos, que não priorizam o bem estar da população e só enriquecem os seus bolsos e de seus aliados em troca da manutenção do poder, como bem tem demonstrado a operação Lava-Jato. Da mesma maneira, isso acontece com as empresas privadas que fazem parte do mesmo jogo político, por meio da doação de propinas a políticos, do financiamento a campanhas eleitorais, e do superfaturamento em obras e serviços públicos. Não à toa, o governo tem enfrentado grande atraso nas obras de metrô e a dificuldades de financiamento dar continuidade às obras da linha 6-laranja, tendo em vista que as empreiteiras do consórcio (Odebrecht, Queiroz Galvão e UTC Engenharia) estão sendo investigadas pela Lava-Jato.

Não podemos deixar que os nossos direitos sejam vendidos a grandes empresários que só pensam no enriquecimento de seus bolsos. Educação, saúde, transporte e lazer não são mercadorias! A juventude e os trabalhadores não podem ficar à revelia dos poderosos que sem nenhum diálogo querem decidir os rumos do nosso futuro. Nós do Juntos não aceitamos e não vamos dar paz a nenhuma privatização e nenhuma entrega dos nossos direitos nas mãos da casta política corrupta. A juventude deve se aliar ao sindicato dos metroviários, aos trabalhadores do mercadão, dos parques, ao funcionalismo público em luta, e a todos que têm sido diretamente afetados por estes projetos e para construir uma grande campanha contra as privatizações.

Nossos direitos não estão à venda!