Pressão da mobilização faz deputado retirar emenda que extinguia a Unila

17/ago/2017, 14h19

Texto originalmente publicado em Andes-Sindicato Nacional.

Após intensa mobilização em defesa da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), o deputado Sérgio Souza (PMDB/PR) retirou o pedido de emenda à Medida Provisória 785/2017, que previa a extinção da Unila, para transformá-la em Universidade Federal do Oeste do Paraná. A notícia foi comemorada como uma grande vitória pela comunidade acadêmica e pelas entidades que lutam em defesa da Educação Pública, Gratuita e de Qualidade.

“Essa é uma primeira vitória, em função de toda a mobilização que tivemos em torno da Unila. Acho muito importante destacar o apoio local que tivemos da população de Foz do Iguaçu e região, das prefeituras, das universidades e das entidades locais”, disse Andréia Moassab, secretária-geral da Seção Sindical dos Docentes da Unila (Sesunila – Seção Sindical do ANDES-SN).

Além de diversas atividades locais, a luta em defesa da Unila ganhou repercussão nacional e internacional, com manifestações de apoio de várias entidades sindicais, sociais, movimentos de diversos campos da produção de conhecimento e também de parlamentares federais. Em audiência pública realizada pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado Federal na manhã da terça-feira (15),a comunidade acadêmica Unila denunciou a tentativa de extinção da instituição.

“Ontem tivemos uma audiência pública muito positiva, que conseguiu dar mais visibilidade à situação da Unila, em especial junto aos parlamentares. A comunidade universitária da Unila, assim como da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), travaram uma grande luta em defesa da universidade e toda essa mobilização resultou na retirada da emenda. Mais uma vez, ficou demonstrado que, quando a categoria se mobiliza, se organiza e luta de maneira unificada, temos conquistas. Foi uma vitória, mas devemos continuar vigilantes, para que nenhuma universidade pública seja atacada e que esses projetos de universidade de integração sejam mantidos e ampliados”, avaliou Eblin Farage, presidente do ANDES-SN.

A secretária-geral da Sesunila SSind, também ressaltou que é necessário manter o estado de alerta e a luta em defesa da Unila. “Temos também têm ciência de que a luta não termina com isso. O deputado Sergio Souza ressoa vozes de um coletivo que pensa da mesma maneira, então provavelmente devem vir outros ataques, muito em breve. Inclusive, ele [Souza] deixa isso bem claro nas razões expositivas quando solicita a retirada da emenda aditiva. Já no primeiro parágrafo, ele diz que é necessário abrir o debate sobre a Unila, para a sociedade brasileira, de forma racional e livre de paixões ideológicas. Então, provavelmente o deputado, ou outro parlamentar, deve entrar com outras estratégias no sentido de eliminação da Unila”, comentou Andréia.

De acordo a docente, a comunidade acadêmica se mantém mobilizada, e em greve essa semana. As atividades previstas também serão mantidas. “Amanhã teremos uma audiência pública na Câmara de Vereadores de Foz do Iguaçu, promovida pela Assembleia Legislativa do Paraná. Todo nosso calendário de lutas segue mantido”, contou.

Entenda o caso

A Unila estava ameaçada de extinção após a inclusão da Emenda 55, do deputado Sergio Souza (PMDB/PR) na Medida Provisória 785/2017, que modifica regras do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). A comunidade acadêmica denunciou que o deputado quer acabar com a instituição, de caráter singular por ser bilíngue e prezar pela integração latino-americana, em especial de Brasil, Paraguai e Argentina, para transformá-la em Universidade Federal do Oeste do Paraná, com foco na formação de mão-de-obra para o agronegócio. O projeto de Sergio também prevê a fusão dos campi Toledo e Palotina da Universidade Federal do Paraná (UFPR) à instituição.