Rafael ainda está preso. Precisamos pressionar os desembargadores!

01/ago/2017, 23h30

Pelo Grupo de Trabalho Nacional do Juntos!

Mesmo com várias mobilizações nas principais capitais do país em defesa de sua liberdade, o pedido de Habeas Corpus, (remédio jurídico para garantir o direito a liberdade), para Rafael Braga, o único preso pelas Jornadas de Junho de 2013, não foi concedido por dois dos três juízes que julgaram o pedido.

A prisão de Rafael Braga é a evidência de como as vidas negras são tratadas no Brasil. Enquanto a casta política rouba milhões dos cofres públicos e senadores passeiam com quilos de pasta de cocaína em helicópteros, a justiça Brasileira segue prendendo em massa a população negra.

Recentemente Breno, filho de uma desembargadora, foi preso por porte de armas e 150kg de maconha no Mato Grosso do Sul (MS) mas para ele, jovem branco e rico, a justiça concedeu o habeas corpus.

Para o povo negro resta a mobilização e luta dos movimentos sociais para que a justiça seja conquistada. O desembargador Luiz Zveiter pediu vista do processo e o fato adia a decisão final sobre a concessão ou não do Habeas Corpus de Rafael Braga. Mesmo já tendo dois votos contra o pedido, nosso papel é pressionar esses desembargadores a libertarem Rafael Braga demonstrando que esse é mais um caso vergonhoso do nosso racismo institucional de todo dia.

A história de Rafael Braga começou quando, em 2013, foi preso por portar uma garrafa de pinho sol e ser enquadrado na lei antiterrorista. O material de limpeza foi considerado uma arma de destruição em massa. Em 2014 quando cumpria prisão domiciliar, Rafael Braga foi preso em “flagrante” por supostamente portar 6g de maconha e 9g de cocaína.

Mesmo que várias testemunhas contestem essa versão do flagrante defendido pelos policiais, a justiça do Rio de Janeiro demonstra de que lado está. Não atoa, essa é uma das capitais mais negras do país, onde a crise dos poderosos corruptos cortam salário dos servidores públicos e onde a política falida de guerra às drogas tem dado autorização para que a Polícia mate todos os dias jovens negros e a população fique refém dessa guerra com o tráfico.

Quantas escolas de periferias precisarão ter suas aulas interrompidas devido à política genocida do povo negro chamada Guerra às Drogas? Rafael Braga não está preso porque portava drogas! Está preso porque é negro! E mesmo que porte um Pinho Sol, a justiça vai olhar para sua pele, seu endereço, o nome dos seus pais, sua profissão (catador de latinha) e concluir que ele é um terrorista!

Para nós, terrorismo é a política de segurança que tem no seu protocolo o povo negro na mira! Terrorismo é cortar salário de trabalhador! Terrorismo é acabar com as aulas de uma escola (onde mais jovens como Rafael Braga estudaram) por troca de tiros! Terrorismo é assistir crianças serem atingidas por balas perdidas que sempre acham a pele negra e a periferia como lugar alvor!

Liberdade para Rafael Braga é um a luta que deve ser abraçada por toda sociedade que luta por uma real democracia!

#LibertemRafaelBraga!

#VidasNegrasImportam!