Temer não pode vender nossas florestas. Juntos! em defesa da Amazônia

29/ago/2017, 11h19

Por Texto do Juntos! PA e Juntos! AM

Semana passada, o governo Temer nos surpreendeu com mais um de seus desmandos. Após sancionar a MP 759, permitindo a grilagem de terras na Amazônia, ele apresentou a proposta de redução da proteção de Unidades de Conservação no Estado do Pará, agradando a bancada ruralista e garantindo a sobrevida de seu governo, que respira por aparelhos.

Os ataques à Amazônia nunca cessaram. O desmatamento voltou a crescer em mais de 100% desde 2014, os governos petistas investiram em construção de hidrelétricas como a de Belo Monte, na hidrovia no Rio Madeira e existe uma bancada amazonense de parlamentares que trabalham a favor da mineração na Floresta Amazônica. O governo Temer não poderia deixar de fazer parte dos que atacam a Amazônia.

Ao rifar a Amazônia, Michel Temer mostra mais uma vez não se importar com a biodiversidade, povos tradicionais e nem com o planeta; pois trocar a floresta Amazônica por interesses privados, trará um futuro nefasto para o Brasil e a humanidade. O PL 8107/2017 foi enviado para o congresso em caráter de urgência. Ele reduz a área total de Floresta Nacional do Jamanxim e transforma parte dela em área de proteção ambiental, onde, estão autorizadas atividades como a agropecuária, estimulando assim a grilagem, destruição da biodiversidade e por consequente, o aumento dos indices de violência no campo.

Não podemos deixar de lembrar que, o interior do Pará foi palco recente de uma chacina, motivada pela grilagem de terras em Pau D’arco em maio desse ano. Além disso, logo após a notícia da entrega de áreas de terra a exploração, tivemos conhecimento de que, investidores e empresas de mineração Canadenses, souberam em março de 2017 que as chamadas RENCA (Reserva Nacional de Cobre e Associados) seria extinta. A Renca engloba nove áreas protegidas: o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, as Florestas Estaduais do Paru e do Amapá, a Reserva Biológica de Maicuru, a Estação Ecológica do Jari, a Reserva Extrativista Rio Cajari, a Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapuru e as Terras Indígenas Waiãpi e Rio Paru d’Este. Segundo o governo, tais áreas não serão afetadas, uma grande mentira, uma vez que a RENCA as engloba.

Em 2015, assistimos um mar de lama tomar conta de Mariana. No entanto, a extinção da RENCA é uma sinalização de que Temer vai flexibilizar o que for preciso para o avanço da mineração. Se, na tarde desta segunda-feira, O Globo disse em machete que o decreto havia sido revogado, a realidade é que apenas ficou proibida a mineração nas áreas de proteção ambiental. Na prática, além das comunidades indígenas continuarem desprotegidas, a exploração por mineradoras continua autorizada.

Temos, por fim, um recado ao Temer e à bancada ruralista: Tirem as mãos da Amazônia, ela não está à venda!