A maternidade também é uma responsabilidade social!

26/set/2017, 19h28

Seguindo a lógica de uma sociedade machista, não é conveniente que enxerguemos nas mulheres seres humanos dignas de respeito e espaço. Quando nos tornamos mães, essa verdade cai sobre nossos ombros de novo, mas de uma maneira muito mais intensa e arrasadora. Pensar sobre como o restante das pessoas nos enxergam – ou não nos enxergam – é o ponta pé para que, coletivamente seja possível vivermos em um outro plano de sociedade, que seja indispensável a ideia de que a maternidade é parte de uma construção social.

O Estado nos diz que não podemos abortar. Nós, por escolha ou medo de morrer em procedimentos de aborto nenhum pouco seguros, decidimos lançar a gestação à própria sorte. Muitas desde o momento da concepção já se sentem só. Sem o pai do bebê que vai chegar, sem amparo da família e principalmente sem qualquer auxílio do Estado. Já no pré natal sentimos a falta de política públicas para as mães; falta de médicos obstetras ou ginecologistas nos postos de saúde, estruturas sucateadas e hospitais que contam com a desumanização de um processo tão sensível que é o parto.

Não tem como não pensar em todas as mazelas que são impostas para nós, mulheres mães jovens, pobres, negras e da periferia. O Brasil é um dos países que mais realiza procedimentos violentos e agressivos na hora do parto e quem mais sofre com essas práticas novamente são as mulheres negras. E esse fator reflete também como o racismo e o machismo nos tocam de uma maneira diferente.

Infelizmente a maternidade real que está presente na maioria dos lares brasileiros, não é romântica. Ser mãe para muitas de nós, significa renúncia, solidão e negligência. Em tempos de crise, os desafios que uma mãe trabalhadora tem que enfrentar são ainda mais duros. Porquê se em tempos de estabilidade econômica os de cima já não pensam em políticas públicas para nós e nossos filhos, são por nós sentidos os primeiros ataques; as mães chefes de família são demitidas e/ou não contratadas. Somos as primeiras a nos depararmos com o desespero de ter a creche dos nossos filhos fechadas, as primeiras a não conseguirem sustentar o acesso na universidade. Somos nós o primeiro grupo social a ter nossos direitos reduzidos e jogados na lata do lixo pelos governos.

Nós entendemos que para romper com essa lógica, precisamos coletivamente denunciar e exigir do Estado políticas públicas que atendam nossas demandas. Que o congresso nacional e todas as instituições públicas deixem de ser espaços dominados por homens brancos, velhos e ricos.

A maternidade é um desafio coletivo, sem nós não há futuro.